O mundo do cinema perdeu neste sábado (20/1) um de seus grandes mestres: Norman Jewison faleceu aos 97 anos, deixando atrás um legado de filmes inesquecíveis que transitaram por diversos gêneros com a mesma destreza.
Embora seu talento tenha brilhado nas telonas, a carreira de Norman Jewison começou de forma improvável: dirigindo musicais para a televisão. Contudo, não demorou para que ele saltasse para o cinema e começasse a colecionar elogios. Ao longo de sua trajetória, recebeu sete indicações ao Oscar®, sendo premiado pelo prestigioso Irving G. Thalberg Memorial Award em 1999.
Suas produções não apenas conquistaram o público, mas também revelaram o talento de astros. Doze atores dirigidos por Jewison receberam indicações ao Oscar® e cinco de seus filmes concorreram à categoria de melhor filme. Um dos segredos de seu sucesso era justamente a capacidade de extrair o melhor de seus intérpretes, transformando o roteiro em algo vivo e pulsante na tela.
Do drama à comédia
Mas se havia um talento especial em Norman Jewison era o de usar gêneros convencionais para abordar questões sociais relevantes. Em No Calor da Noite, um suspense eletrizante, ele abordou o racismo nos EUA da década de 1960. Já em Um Violinista no Telhado, um musical emocionante, explorou a cultura judaica durante o período pré-Segunda Guerra Mundial.
A versatilidade de Jewison era impressionante. Ele transitou com facilidade entre thrillers elegantes como Crown, o Magnífico; a comédias hilárias como Os Russos Estão Chegando! Os Russos Estão Chegando!. Mesmo em filmes aparentemente leves, como a divertida Feitiço da Lua, ele conseguia inserir pitadas de reflexão e crítica social.
Ao longo de sua carreira, Jewison dirigiu uma variedade impressionante de filmes como Não Me Mandem Flores; thrillers como O Jogador; e musicais como Jesus Cristo Superstar. Cada obra revela sua habilidade de se adaptar a diferentes gêneros e contar histórias cativantes, sempre com um olhar atento à realidade e uma preocupação em abordar temas relevantes.
Canadian Film Centre
Em 1978, ele retornou a Toronto e construiu uma vida em uma fazenda de 60 hectares em Ontário. Por anos, foi anfitrião de um piquenique de gala no Festival Internacional de Cinema de Toronto, conectando a cena local com o cosmopolitismo de Hollywood.
Em 1982, Jewison foi condecorado como Oficial da Ordem do Canadá, a maior honraria civil do país. E, com o mesmo espírito inquieto que o levou a conquistar Hollywood, ele se dedicou a criar o equivalente canadense do American Film Institute, garantindo que as histórias e talentos do Canadá tivessem o palco que mereciam.
E assim nasceu o Canadian Film Centre, fundado em 1988 em Toronto. Mais do que uma escola de cinema, o CFC se tornou um celeiro de talentos, nutrindo as carreiras de nomes como Atom Egoyan, Sarah Polley e Denis Villeneuve. Jewison, com sua visão pioneira e espírito colaborativo, plantou a semente que floresceu em um dos programas de desenvolvimento cinematográfico mais respeitados do mundo.
Agora, o legado de Norman Jewison se perpetua por meio de seus filmes inesquecíveis e pelo CFC, que continua a revelar ao mundo o brilho do cinema canadense. Em breve, homenagens póstumas serão realizadas em Los Angeles e Toronto, celebrando a vida de um homem que não apenas fez filmes, mas construiu um futuro para a sétima arte em seu país de origem.
