Crítica | Filme | Argylle – O Superespião

Em um local luxuoso, o agente Argylle enfrenta sua arqui-inimiga, a mortal Lagrange. Mas, seu disfarce foi descoberto. O que acontece em seguida é uma enlouquecida perseguição em meio a ruelas e casas de uma exótica ilha grega, com direito a desafios à gravidade e, principalmente, à realidade. Afinal, é tudo uma ficção saída da mente de Elly Conway, autora de uma série de livros que narra as aventuras de um agente secreto bonitão.

Mas isso é só o começo de Argylle – O Superespião, produção que atira para todo lado dos clichês de filmes de espionagem. Começando com Henry Cavill como Argylle nas cenas saídas dos livros de Elly. Uma óbvia referência ao fato do ator ter perdido o papel de James Bond para Daniel Craig e seguir cotado para viver o espião mais famoso de Sua Majestade.

Verdades e mentiras

Misto de comédia e aventura, o longa de Matthew Vaughn lembra uma história que dizia que o FBI foi um dia à casa de Tom Clancy. A agência alegava que o autor do technothriller militar Caçada ao Outubro Vermelho ameaçava a segurança nacional com suas descrições por demais realistas de armas e equipamentos. O agente Wilde salva Elly de um bando de assassinos que buscam o final de seu quinto livro.

Elly, assim como Clancy, alega que suas aventuras têm base em pesquisa. Ele tinha razão. Ela, nem tanto. Entre perseguições rocambolescas, revelações novelescas e Henry Cavill a bordo de um figurino de veludo verde e um corte de cabelo engraçados de tão patéticos, o longa diverte. Alguns momentos são constrangedores, como a dança supostamente sexy entre Argylle e Lagrange. Outros, como a cortina de fumaça colorida que lembra uma versão psicodélica de propaganda de alarme, são bem gozados.

Vaughn, é claro, tem experiência em criar comédia no mundo da espionagem com a série Kingsman. Em Argylle, ele abusa do artificial enquanto nos identificamos com a Elly de Bryce Dallas Howard, a garota que passa as noites em casa escrevendo sobre aventuras, mas tem medo de avião. E de tudo o mais. Só para mais adiante descobrirmos que nada disso é verdade.

É tudo mentira. Ou quase.

Devidamente acompanhado do lançamento do livro que inspirou o filme, o que não é verdade, e nem foi Taylor Swift que escreveu, Argylle é uma mistura de exagero e desinformação. Exagero sobre os clichês dos filmes de espionagem. E desinformação quando leva o público a várias surpresas, a melhor delas estrelada por Bryan Cranston. Não é para ser levado à sério.

E, se depender de Vaughn, não vai parar por aqui. O filme inclui uma cena pós-créditos de uma prequel da série Argylle que tem como cenário o bar Kingsman e onde o agente aparece com 20 anos.  A ideia é filmar Argylle: Book One, baseado no livro que está nas livrarias, e depois Argylle 2, que, na verdade, será o terceiro filme com o personagem.

Parece confuso. E é, um tanto. Exatamente como o filme.

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