A minha primeira parada foi na estação da história, de nome BR-1540, do recém-criado povoado de nome Enguaguassu, ano 1540. Fui convidado pelo fundador, proprietário das terras que compõe o povoado, Ilustríssimo fidalgo, explorador e Capitão Brás Cubas.
Neste dia, datado de 10 de agosto de 1540, foi registrado o primeiro documento que se tem notícia, no qual se localizou e definiu geográfica e topograficamente o sítio de Enguaguassu. Este documento, denominado o Auto de Posse, onde, perante Brás Cubas e o Capitão-mor Antônio de Oliveira do Vale, tabelião público, descrevia, demarcava as terras fronteiras:
“…e com esta dita terra já demarcada lhe foi também dada a dita ilha que na sua data disse a qual está defronte das ditas suas terras e de fronte nesta Ilha de São Vicente, onde chamam Emguaçú”.
Após o registro oficial das terras em cartório, acompanhei o Capitão Brás Cubas até sua casa, construída no Outeiro de Santa Catarina, para festejarmos a ocasião.
Entre copos de refrescos de frutas silvestres, limão e laranja, além de queijos frescos e pão do Alentejo, fui surpreendido com doces típicos portugueses, os famosos travesseiros de Sintra e Ovos Mole de Aveiro. Entre tantas iguarias, o anfitrião Brás Cubas decorreu e narrou a breve história das terras de Enguaguassu.
“Pois bem, eu nasci de pais, João Pires Cubas e Isabel Nunes, na cidade do Porto, no ano 1507, mês de dezembro.
Cheguei a Enguaguassu, Santos, no ano de 1531 DC, provindo de Lisboa, Portugal, juntamente com Martim Afonso e Souza, donatário da Capitânia de São Vicente, de quem gentilmente recebi de presente sesmarias, as terras denominadas Jurubatuba. Em seguida, comprei de povoadores existentes as terras situadas em Enguaguassu.
Ao princípio, com a chegada dos primeiros povoadores europeus, estas terras eram ocupadas por indígenas de etnia Tupis”.
-Interrompendo sua narrativa, Capitão Brás Cubas, fiquei curioso a saber se os indígenas não eram perigosos? – perguntei.
-Não ao contrário, jovem Muniz, os selvícolas aqui encontrados fazem jus ao nome, Topi, topie, que tem origem hebraica de tob (bom, virtuoso, com virtudes) e pi (boca, entrada, borda, margem). Significando a gente boa, amiga, acolhedora, virtuosa da parte da frente da entrada do país, da costa. Voltando a narrar…
“Há um fato, Muniz, que consta da carta do navegador, explorador espanhol, datada de 1527, Diogo Garcia de Moguér, em sua Memória de la Navegación, dizendo que ‘e de aqui fuemos a tomar refresco em San Vicente questá en 24 grados… y está una gente ali con el bachiller que comen carne umana y es mui buena gente amigos mucho de los cristianos que se llaman topíes'”.
Continua na próxima semana.
