Crítica | Filme | O Jogo da Morte

O longa de terror adolescente O Jogo da Morte faz sua estreia nos cinemas nacionais nesta reta final de fevereiro de 2024. No entanto, o filme já fez carreira internacional, sem quase fazer barulho, há algum tempo. Trata-se de um filme de 2021, que a Paris Filmes decidiu importar da Rússia e investiu bem nisso.

Não que isso seja um problema e que o público que poderia ir aos cinemas estaria preocupado com o “lançamento” de um filme de quase três anos atrás. No entanto, isso pode ser um empecilho para o desempenho econômico da produção. Isto posto, vale abordar agora o tema polêmico do roteiro.

Assim, o título nacional O Jogo da Morte pouco revela sobre a densidade do tal jogo, que se inspira no fenômeno on-line Baleia Azul, que propunha atividades que levavam adolescentes a se exporem na internet e os induzia a provocar ferimentos em si, podendo chegar ao extremo do suicídio.

A coisa é russa

Continuando, o filme tem direção da cineasta Anna Zaytseva, estreante em longas-metragens, mas com alguns curtas e algum conteúdo para a TV no currículo. E ela usou e abusou dos recursos que remetem ao mundo on-line para contar essa história, incluindo também um trabalho interessante da Paris Filmes em nacionalizar tudo isso.

Desse modo, sem dar spoilers, toda a ação da trama gira em torno da morte de uma jovem e como a irmã dela começa uma investigação que a leva ao mundo do tal jogo mortal. Ou seja, a moça investiga redes sociais, sites de vídeos e faz pesquisas em enciclopédias online que seriam originalmente lidas em russo ou, no máximo, em inglês. Só que a Paris converteu tudo isso para o nosso idioma, e o público brasileiro poderá ter uma experiência melhor na compreensão do filme.

Um detalhe importante

Apesar de não contar uma história real, o enredo leva para a telona uma trama muito realista e o ambiente online simulado pela produção aprofunda ainda mais essa sensação de estarmos acompanhando um evento verdadeiro.

Logo, quem tiver ainda fácil na memória a cobertura da mídia brasileira do tal jogo da Baleia Azul, em meados de 2017 em diante, terá a chance de entender melhor o drama e o terror propostos.

Seguindo, para quem não está familiarizado com o fenômeno Baleia Azul, estamos falando de um desafio online terrível, que oferecia diferentes situações realmente abusivas aos participantes. Extremo mesmo.

No fim das contas…

Completando o enredo, o filme conta a saga de Dana, uma adolescente russa que acabou de perder sua irmã Julia, que tirou a própria vida de forma misteriosa. A mãe das duas acaba culpando a péssima relação entre as irmãs pela fatalidade.

Inconformada, Dana abre o computador de Julia e começa a bisbilhotar as redes sociais da irmã, buscando algum sentido na atitude dela. Porém, Dana se depara com algo assustador: Julia tinha uma outra vida paralela, em que ela se revelava muito menos inocente do que aparentava.

Além disso, Dana encontra pistas entre outras mortes suspeitas de jovens na região em que elas moram, conectando o suicídio de Julia com outros eventos recentes e todos com algo em comum – o jogo da baleia.

No fim das contas, o filme é muito interessante e conduz a uma trama cheia de mistério, violência e perseguição, tudo capturado por mídias virtuais. Isso dá ao público uma sensação de estar mesmo ali e o sofrimento é real. O problema está na reta final, em que o sobrenatural vai ficando muito mais presente e menos plausível. Daí, para um final borocoxô é um piscar de olhos. Estreia em 22/2.

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