Crítica | Filme | 20 Dias em Mariupol

Crítica | Filme | 20 Dias em Mariupol

Com os dois anos recém completados de guerra no território da Ucrânia, o documentário 20 Dias em Mariupol torna-se mais do que essencial. Lançamento da Synapse Distribution, chega aos cinemas brasileiros no dia 7 de março.

O jornalista, cineasta e fotógrafo ucraniano Mstylav Chernov, nos leva aos vinte primeiros dias de guerra, com a Rússia invadindo a Ucrânia em Mariupol. Com as cenas que ele conseguiu registrar mesmo antes dos primeiros ataques, até o caos causado pela destruição.

O filme é cru! Simples e enfático, assim. Qualquer pessoa que não esteja acostumada a ingerir alimentos crus, antes de tudo, vai sentir o estômago virar. E Chernov não se apiedou dos frágeis, ele trouxe a realidade da guerra.

E, com toda a certeza, o filme mereceu sua indicação ao Oscar® de melhor documentário.

“Eu quero viver em paz na Ucrânia”

A frase acima, de um morador de Mariupol, se reflete diretamente no que está por emergir, tanto no documentário de Chernov, como na guerra em si. Logo no começo, a falta do entendimento das pessoas com o que estava acontecendo, ou mesmo uma esperança de que algo pior não viria, soa como inocência.

E a inocência cobra o seu preço. A guerra chega, destrói e mata. Mata, de maneira idêntica, crianças, jovens jogando bola, adultos com um um futuro pela frente e idosos que poderiam, mas não vão, aproveitar uma aposentadoria merecida.

O som da destruição

O som ambiente captado pelo jornalista, sobretudo o choro das pessoas, é impactante. Ele junta o som da guerra com as pessoas em desespero e, ainda mais, um eco, bem lá no fundo. Como se fosse uma sirene, como se fosse seus ouvidos reverberando após uma explosão.

Junta-se tudo isso com os diálogos, com os pedidos de socorro e o choro do medo e, enfim, o choro da perda. E temos um som marcante.

O raio X da guerra

Se torna impossível não realizar, sobretudo hoje, um paralelo do que aconteceu nesses dois anos de guerra na Ucrânia, com o que está acontecendo na Palestina. Ou até mesmo com o que acontece diariamente nas favelas do Rio de Janeiro, com a guerra antidrogas.

A guerra revela o que tem dentro do ser humano. Tanto o mal, aquele que vai se aproveitar da dor alheia, quanto o bem, daquele que se arrisca para salvar a vida de um desconhecido. Ou quase morrer para registrar a crueldade de uma guerra.

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