A Matriarca, longa-metragem dirigido por Matthew J. Saville, explora todo o talento da veterana atriz inglesa Charlotte Rampling para contar uma história humana e que está ao alcance de qualquer um de nós. O filme distribuído pela Pandora estreia nos cinemas brasileiros em 28 de março e vai brigar com os títulos mais comerciais apostando na sensibilidade de sua trama.
O público mais jovem pode lembrar de Charlotte em Duna: Parte 2, ainda que ela esteja com o rosto coberto a maior parte do tempo pelo véu de Bene Gesserit. Contudo, vale a pena conferir trabalhos seus como Operação Red Sparrow (2018), Melancolia (2011) ou Coração Satânico (1987).
Em A Matriarca, Charlotte Rampling é Ruth, uma veterano correspondente de guerra alcoólatra que decide curar sua perna quebrada na casa de seu filho (Marton Csokas, de O Protetor) e ao lado do neto, Sam (George Ferrier). O garoto anda meio angustiado desde a morte de sua mãe e a convivência promete ser bem complicada.
O dia-a-dia de avó e neto, contudo, se revela mais transformador do que ambos esperavam.
Nem sempre uma história baseada em fatos reais é crível ou é bem adaptada para o cinema. Contudo, o diretor Saville, que também assina o roteiro, levou suas experiências pessoais com a própria avó para a tela. E ao que parece, sem tirar nem por. Sua avó teve uma vida agitada como correspondente, transitando pela Guerra Civil Espanhola e levantes na África antes de buscar refúgio na Nova Zelândia por causa de uma perna quebrada.
Consumindo algo como dois terços de uma garrafa de gim ao dia, a avó de Saville usou seus últimos anos de vida para resgatar o passado com sua família. É exatamente essa história que vemos em A Matriarca, um filme até razoavelmente leve para tema tão complexo e que deve conversar com muita gente. Conversou comigo ao menos…
Por isso, vale muito destacar a atuação de Charlotte Rampling, completamente à vontade, porém, muito concentrada em sua interpretação. Quanto mais real a personagem que um ator assume, maior o desafio para encontrar o tom exato em sua criação. E a atriz esbanja sua arte em todas suas cenas.
