Bradley Cooper escreve, dirige e estrela a biografia de Leonard Bernstein, e não há dúvidas de sua paixão pelo projeto Maestro. Ao longo do filme, o ator se entrega ao personagem, famoso como autor de West Side Story, o musical da Broadway filmado duas vezes (1961 e 2021), porém muito maior do que isso.
Viagem no tempo
Alternando de imagens em preto e branco para Technicolor, e entre formatos de filme, o longa recupera a história de Bernstein e, principalmente, de seu relacionamento com sua esposa. Atriz de luz própria, Felicia Montealegre é o ponto fixo em torno do qual Bernstein borbulha em todas as direções. Maestro, compositor, pianista, professor, Bernstein, ou Lenny como os amigos o chamavam, não conhece outro estado que não em movimento.
Construído com momentos que resumem longas passagens de tempo, alguns realmente especiais, Maestro começa no instante em que sorte, oportunidade e talento se encontram. Bernstein é maestro substituto e ganha a chance de reger a Filarmônica de Nova York em 1943, quando o titular, Bruno Walter, adoece. A sequência o leva da cama que divide com o clarinetista David Oppenheim (Matt Bomer) ao palco de forma lúdica, não diferente dos cenários se movendo no palco de um musical.
O encontro com Felícia vem mais tarde, dando início à vida em que Bernstein se apaixona realmente por uma mulher enquanto mantém seu interesse por homens. Carey Mulligan faz um trabalho de alto nível como Felícia, mulher que sabe o homem que tem ao lado e aceita o que ele tem a oferecer. Só para, como outras, concluir que estar ao lado de alguém que sempre busca a ribalta não é bastante.
O ponto crítico vem em outra sequência marcante, esta no apartamento do casal em Nova York. A tempestade ruge entre os dois enquanto Snoopy flutua pela janela no desfile de ação de graças, retrato da divisão que definiu a vida a dois.
Mesmo com o relacionamento como foco, entretanto, não há como separar Bernstein da música, independente do gênero. E apesar dos conselhos para deixar o teatro musical como algo menor. O que culmina com o maestro regendo a Sinfonia nº2 de Mahler na Catedral de Ely, em Londres em 1973. É uma cena de força, teatralidade e entrega e também de reconexão de Bernstein e Felicia, que seguirão juntos até que a morte os separe.
Conclusão
O roteiro se esmera em mostrar tanto a criatividade e o talento de Bernstein, como sua ambição e egoísmo. Bradley Cooper está perfeito no papel para o qual se preparou tanto, como cenas do próprio Bernstein mostram a quem não sair correndo antes do final dos créditos.
O centro, entretanto, está fora do palco, no amor entre Lenny e Felicia. Um relacionamento fora do esquadro e das convenções. Estreia em 7 de dezembro distribuído pela O2 Play e Netflix.
