O quarto filme da franquia Mercenários traz de volta apenas quatro dos atores que atuaram em toda saga: Sylvester Stallone, Jason Statham, Dolph Lundgren e Randy Couture. Contudo, reúne vários novos rostos bem conhecidos pelo público.
Dessa formação inicial dos Mercenários, Sylvester Stallone (Barney Ross) já não é mais o protagonista da franquia. Jason Statham (Lee Christmas) praticamente assume as rédeas e acaba sendo o principal em tudo. Dolph Lundgren (Gunnar Jensen), por sua vez, está bem apagado e com um estilo de humor que não agrada muito. Por fim, Randy Couture (Toll Road) está ainda mais apagado, quase sem um momento de destaque. O que lhe resta é a oportunidade de fazer humor ao falar novamente sobre sua orelha com formato de couve-flor.
Novos atores
Curtis Jackson, o 50 Cent, interpreta Easy Day e pode ser encarado como o substituto de Terry Crews no filme. Não é um ator ruim, contudo, não serve para a ação no estilo de Mercenários. Jackson não tem o mesmo estilo e carisma de Crews, claramente, e nem de Wesley Snipes, por exemplo, que esteve no filme anterior.
Já Megan Fox (Rogue) tem mais destaque no filme interpretando Gina, que além de se juntar à equipe nesta jornada, também namora Lee Christmas. Mas, tem um uso exagerado de sua beleza no filme, parecendo não se importar muito com a exploração de estereótipos femininos manjados, do tipo “bela e fera”. Sem contar os efeitos exagerados nas cenas envolvendo artes marciais e o seu humor, outro exagero total.
Jacob Scipio vive Galan e é o grande alívio cômico de Os Mercenários 4, mas não dá para entender realmente por que quiseram chamá-lo para essa sequência. Jacob parece meio deslocado.
Já o veterano Andy Garcia (Os Intocáveis) é Marsh, o chefe da missão, substituindo os papéis de Bruce Willis e Harrison Ford nos filmes anteriores. E, pensando bem, Andy tem até mais destaque que os seus antecessores.
Os artistas marciais asiáticos
O indonésio Iko Uwais, protagonista dos filmes Operação Invasão, aqui interpreta o vilão Surto, um traficante de armas. Pois ele até que começa muito bem, sendo um destaque positivo na história. Porém, por causa de um roteiro um tanto fraco, nem isso agrada, pois as atenções estão em cima de Jason Sthatam. Que vem se dando bem com os seus Megatubarões.
O tailandês Tony Jaa, da trilogia de filmes Ong-Bak, tem menos tempo de tela que Iko Uwais, contudo, é um rosto familiar para os fãs de filmes de ação. Ele interpreta Decha, um amigo de Barney, e em alguns momentos até consegue exibir todo seu talento marcial. Na minha opinião, entretanto, essa sua característica poderia ter sido melhor aproveitada.
O CGI do filme
Nos primeiros filmes da franquia notamos bastante efeitos práticos, sempre mais capazes de vender a ação. Os Mercenários 4, infelizmente, tem bastante CGI. Efeitos até em algumas cenas de luta, principalmente quando envolvem Megan Fox. Por causa desse exagero, o CGI pode ser bem desagradável para quem se acostumou com o estilo que fez da franquia um sucesso. Se bem que o terceiro Mercenários tem muito tiro à toa.
A história
Pois até que Os Mercenários 4 começa bem, mostrando o violento traficante de armas de Iko Uwais em ação. Depois, o foco vai para Jason Statham e Megan Fox, com os outros personagens aparecendo com menos destaque, como já mencionado. No geral, o roteiro me parece muito inferior aos filmes anteriores e completamente fora de foco, mudando até o conceito do legado dos Mercenários. Tem lá suas reviravoltas, algumas até previsíveis, e lembra um pouco as sequências de Rota de Fuga (para quem viu ou gosta), que não chegaram às telas do cinema.
Conclusões
Não é segredo que Sylvester Stallone revelou que não pretende mais interpretar Barney Ross e, em Os Mercenários 4, parece estar quase que assistindo ao filme, já que não tem a autonomia que teve nos filmes anteriores.
E se compararmos os quatro filmes entre sim, este me parece uma grande decepção para quem é fã. Os três primeiros deixavam claro se tratar de uma grande homenagem aos filmes de ação dos anos 70, 80 e 90. Principalmente, resgatando grandes astros do gênero. Em suma, se me perguntarem, diria que o primeiro e o segundo são muito bons dentro desta proposta e o terceiro me pareceu inferior a eles. O quarto filme fica para vocês opinarem também. Estreia em 21 de setembro distribuído pela Imagem Filmes/Califórnia Filmes.

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