Avesso da Pele é censurado em 3 estados brasileiros

Avesso da Pele é censurado em 3 estados brasileiros

O livro Avesso da Pele, do escritor Jefferson Tenório, vencedor do prêmio Jabuti em 2021, foi retirado das prateleiras de escolas públicas em três estados brasileiros: Rio Grande do Sul, Goiás e Paraná. A decisão, tomada por secretarias de educação estaduais, gerou revolta e debate nas redes sociais e na comunidade literária.

A obra, um romance que narra a busca de Pedro pelas raízes de sua família e a história de seu pai, professor da rede pública, é um retrato potente da realidade brasileira e da luta contra o racismo estrutural. Avesso da Pele também destaca a importância da educação como ferramenta de transformação social.

As motivações para a censura variam entre os estados. No Rio Grande do Sul, a secretaria de educação alegou que o livro continha “conteúdo impróprio para menores”, sem especificar quais trechos seriam considerados inadequados. Em Goiás, a censura foi justificada por “incompatibilidade com a faixa etária” dos alunos, enquanto no Paraná, a secretaria de educação não se pronunciou oficialmente sobre o caso.

A censura de Avesso da Pele foi recebida com críticas por parte de autores, intelectuais e entidades ligadas à defesa da liberdade de expressão. A União Brasileira de Escritores (UBE) classificou a medida como “um ataque à cultura e à educação” e convocou a sociedade a se mobilizar contra a censura. Que reacendeu o debate sobre o racismo estrutural presente na sociedade brasileira e a importância da liberdade de expressão. O episódio evidencia a necessidade de discutir o papel da literatura na formação de cidadãos críticos e conscientes.

Diante da censura, diversas entidades se mobilizaram em defesa do livro e da liberdade de expressão. A Academia Brasileira de Letras (ABL) emitiu uma nota pública repudiando a medida e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) entrou com uma ação judicial contra a censura no Rio Grande do Sul.

Ainda não há um posicionamento definitivo sobre o futuro da obra nas escolas públicas dos três estados. A comunidade literária e a sociedade civil continuam mobilizadas em defesa do livro e da liberdade de expressão.

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