Crítica | Filme | As Linhas da Minha Mão

Crítica | Filme | As Linhas da Minha Mão

As Linhas da Minha Mão, de João Dumans, se torna muito hermético ao oferecer um retrato íntimo da atriz Viviane Ferreira, tecendo uma narrativa poética a partir de suas reflexões sobre sua vida, trabalho, doença e sexualidade. O longa estreia em 11/4 distribuído pela Embaúba Filmes.

No entanto, o filme se torna refém de sua própria estrutura fragmentada, alternando momentos de genuína conexão com artificialidade excessiva.

A força do filme está na presença de Viviane em cena, repassando sua vida com sua voz rouca e expressiva. A câmera de Dumans se fixa basicamente em seu rosto, capturando cada nuance de emoção com sensibilidade à medida que a narrativa avança.

Alguns dos relatos de sua vida ajudam a construir um pouco de sua angústia frente sua condição, uma vez que foi diagnosticada com Transtorno Bipolar aos 30 anos de idade. Aprendendo a lidar com essa condição, desenvolveu-se artisticamente abrindo os poros para uma carreira sólida.

No entanto, a narrativa do filme se perde um pouco em meio à fragmentação excessiva. As cenas, muitas vezes desconectadas entre si, criam um efeito de mosaico que pode ser frustrante para o espectador. A falta de um fio condutor mais claro torna difícil acompanhar o fluxo de pensamentos de Viviane, diluindo o impacto emocional da história.

Em suma, As Linhas da Minha Mão é um filme (quase um documentário!) ousado e um tanto hermético, difícil de afinizar com o grande público. Pode ser que se apequene frente a concorrência.

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