Zona de Exclusão (The Green Border) estreia em 18/4 distribuído pela A2 Filmes. E já é bom saber que o filme dirigido e co-roteirizado por Agnieszka Holland (A Sombra de Stalin) não é fácil. Seja pelo tema abordado, pelo fato de ser branco e preto ou mesmo por sua duração.
Espero que, superadas as questões mencionadas, você se arrisque com o filme, porque ele vale muito a pena. Zona de Exclusão é muito atual e necessário, principalmente para quem está pouco familiarizado com a triste realidade que encaram refugiados mundo afora.
A chamada Green Border (que dá o título em inglês ao filme) se refere à região fronteiriça entre a Polônia e Belarus, estabelecida em 2021 pelas autoridades polonesas para conter o fluxo de migrantes e refugiados que tentavam entrar na União Europeia.
Refugiados que ficam presos na zona enfrentam condições precárias, sem acesso a abrigo, comida, água ou cuidados médicos adequados. A área é patrulhada por um grande número de guardas fronteiriços poloneses, equipados com armas e cães. Que não economizam na violência para lidar com homens, mulheres e crianças que buscam vida nova.
Por si só essa situação cortaria o coração de qualquer ser humano. Mas a narrativa densa e comovente de Agnieszka se entrelaça com maestria entre o drama humano e a crítica social. A trama se passa na Polônia contemporânea, justamente na região fronteiriça com Belarus.
Um olhar sensível sobre a crise migratória
O filme é dividido em capítulos retratando um pouco das diferentes realidades de vários personagens que, cada uma a sua maneira, convergem para a Zona de Exclusão. Uma dessas personagens é Julia, uma psicóloga dedicada que se vê envolvida em um turbilhão de eventos depois que testemunha a brutalidade da polícia com um grupo de refugiados sírios. Tocada pela situação precária dos migrantes, ela decide oferecer ajuda e abrigo, cruzando perigosamente a fronteira proibida.
A jornada de Julia por si só é hostil e marcada pela xenofobia. A diretora constrói personagens complexos e multifacetados, explorando suas motivações, medos e esperanças. Zona de Exclusão vai além do drama, tecendo uma crítica contundente às falhas da Europa em lidar com a crise migratória. O filme expõe a hipocrisia das políticas migratórias, a violência policial e a indiferença da sociedade diante do sofrimento humano.
Necessário e perturbador
Não é preciso entender todos os idiomas falados em Zona de Exclusão para perceber que o elenco entrega atuações fortes. Afinal, a produção é uma soma de esforços da Alemanha, Bélgica, EUA, França, Polônia, República Checa e Turquia. Uma fotografia sombria e uma trilha sonora melancólica contribuem para a atmosfera tensa e claustrofóbica do filme.
É possível dizer que Zona de Exclusão é um filme necessário e perturbador que nos convida a refletir sobre a fragilidade da vida humana, a crueldade da guerra e a responsabilidade individual e social diante da crise migratória. Um drama comovente que não sai facilmente da cabeça.
