Crítica | Filme | A Teia

Crítica | Filme | A Teia

Em A Teia, Russel Crowe tira do comum a trama noir cheia de reviravoltas vivida por um policial sem memória.

Roy Freeman acorda pela manhã vendo o mundo com novos olhos. O passado ficou para trás. Parece tema de livro de autoajuda, mas é a tragédia de um homem afetado pela destruição do Mal de Alzheimer. Sem memória, Roy tem a casa repleta de recados que o sobre cada detalhe de sua vida, incluindo seu nome e o fato de ser cobaia num experimento que abriu seu crânio para instalar eletrodos numa tentativa para recuperar sua memória.

Enfim, não a melhor pessoa a ser contatada por um prisioneiro no corredor da morte que lhe garante ser inocente do assassinato que confessou anos antes. O que se segue é um noir cheio de reviravoltas que ganha destaque por ter Russell Crowe como Roy. Envelhecido, com a cabeça raspada sempre coberta com um gorro para esconder as cicatrizes da cirurgia experimental, Crowe dá peso à tentativa de Roy de voltar ao caso. As mesmas paredes cheias de fita adesiva com recadinhos de onde está a água quente ou o dia da coleta do lixo mostram que o Roy da vida anterior era um bom policial, cujo instinto reacende com o pedido do condenado para que reinvestigue o crime e cancele a execução marcada para dali a trinta dias. É afinal, como colocar um novo investigador no caso.

Entre idas ao passado e mudanças de ponto de vista, como cabe a um “quem matou”, o público acompanha Roy na redescoberta do caso. Conhecemos a vítima, um professor universitário sedutor e canalha que, a bem da verdade, é incapaz de suscitar simpatia. A aluna dele, Laura, a típica femme fatale para o também típico detetive amarfanhado de Crowe. O namorado de Laura, que a vê atraída pelo professor, o faz-tudo da casa, não exatamente um cara confiável e o parceiro de Roy, outro policial aposentado, mas que considera o crime investigado e resolvido. Todos dignos do posto de suspeito com seus motivos para esmagar a cabeça do professor com um valioso taco de beisebol desaparecido desde a noite do crime.

Não é um enredo sem falhas, o ritmo não é perfeito, mas Russell Crowe tem a capacidade e o carisma para tornar o roteiro melhor do que a soma de suas partes. O final, com a descoberta do criminoso, como se espera de um noir, vem carregado de uma torrente de revelações sobre a vítima, a noite do crime, o papel de cada um no ocorrido, incluindo outros mortos, e o real motivo da aposentadoria de Roy. É pouco provável que alguém minimamente esperto escondesse a arma do crime da forma como o filme o faz, mas esse detalhe some diante do olhar final de Roy diante da revelação. Estreia em 2/5 distribuído pela Imagem Filmes.

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