Ainda Estou Aqui, do diretor Walter Salles, é uma experiência um tanto quanto clássica em abordagem. É acompanhada a história de Eunice, uma mãe de família que cuida de seus 6 filhos e filhas nos períodos sombrias e estressantes da ditadura militar, que tem sua vida virada totalmente ao seu esposo desaparecer por conta de feitos contra a ditadura, gerando uma ruptura por completo no seu escopo familiar.
Mesmo com o impacto que tal história baseada em fatos reais e na vida de Eunice que, de fato, viveu tais períodos, o que ocorre aqui é uma direção que se escora em ser mais clássica. A câmera não se reinventa e tenta imergir na mente dos protagonistas, mas se reclina a explorar a atuação de seus intérpretes e ser esse o fator preponderante do longa, e não o filme em si. A obra se preocupa em tamanha escala com seus artifícios cênicos que não se conscientiza em relação a sua fotografia, roteiro ou qualquer outra área.
Mesmo com Fernanda Torres sendo destaque do ano e sendo esta uma das atuações favoritas de muitos críticos no ano, junto do restante do elenco, que se utiliza no primeiro ato diversos trejeitos que são mitigados pela obra, o longa não possui uma condução por meio da direção que seja retumbante, que cause alguma diferença além do clássico.
Não que isso seja ruim, pelo contrário, é um cinema mais voltado a uma composição clássica e, de certo modo, épica que funciona, principalmente, com aqueles que gostam de narrativas fundamentadas no real e totalmente dramatizadas. Mas ao não ousar tanto, deixa tudo o que mostra mais diluído.
Ao final, Ainda Estou Aqui é um filme interessante em sua cênica, com diálogos e encenações impactantes pelos seus personagens e construção que denotam a realidade da época ditatorial, mas que se torna o usual em outras partes ao buscar o clássico. Estreia em 7/11 distribuído pela Sony Pictures.

6 comentários sobre “Crítica | Filme | Ainda Estou Aqui”