Dá para entender perfeitamente porque a série Landman, do Paramount+, foi renovada para uma terceira temporada mesmo quando sequer havia exibido o último episódio da temporada 2. Ela é mais um acerto na carreira recheada de acertos de Taylor Sheridan.
Se minha opinião não convencer o leitor, basta conhecer o fato de que a estreia da segunda temporada de Landman atraiu 9,2 milhões de telespectadores somente nos dois primeiros dias de exibição. Um aumento impressionante de 262% em relação à estreia da primeira temporada, segundo dados da publicação especializada Variety.
Não é pouca coisa para um mercado que despeja novas séries e longas-metragens regularmente. Claro, a gente fica com a impressão de que o Paramount+ é casa oficial de Taylor Sheridan, criador dessa e de outras séries populares exibidas com exclusividade pelo canal. A impressão que dá é que Sheridan sabe contar histórias que não oscilam tanto na audiência. Sempre vai ter um episódio mais fraco que outro, aquela enrolação para arrastar um pouco uma temporada por qualquer problema que seja (tipo o que aconteceu em Yellowstone). Mas no final do dia, o cara ganhou seu público fiel e ler seu nome ou o da 101 Studios é sinal de aprovação.
Foi assim com Landman, lá no começo da primeira temporada. Achei estranho uma série que contaria o dia-a-dia de um sujeito especializado na extração de petróleo no Texas, mas a presença de Sheridan na produção ganhou meu interesse. A de Billy Bob Thornton encabeçando o elenco também. Foi o suficiente para o start.
A primeira temporada foi consumida rapidamente em tom de “tomara que renove”. Renovou e entregou uma segunda temporada tão boa quanto. Com a saída de alguns personagens e a chegada de outros. Principalmente, com o crescimento de muitos dos personagens regulares. E aí é mérito de todos. Dos roteiristas, diretores e, principalmente, do elenco. Que entregou atuações sólidas muitas vezes construídas em poucos minutos na tela.
Ao elenco que já tinha, além de Thornton, Demi Moore, Ali Larter, Jacob Lofland, Michelle Randolph, Paulina Chávez, Kayla Wallace, Mark Collie, James Jordan e Colm Feore, juntaram-se os veteranos Andy Garcia e Sam Elliott. Andy interpreta um antagonista e Sam vive nada menos que o pai do personagem de Thornton.
Nesse momento, a série, que focava um bocado nas agruras da indústria do petróleo nos EUA, abre mais espaço para as relações humanas, focando muito no relacionamento duro e frio de pai e filho. Clássico e certamente vai conversar com muitos espectadores. Esse tipo de relação desgastada não é nenhuma novidade, mas, como insisto, se o tema dor recontado de maneira inteligente, acaba ganhando frescor.
Em mais um acerto de Sheridan, somado aos talentos de Sam Elliott e Billy Bob, as cenas reunindo os dois personagens são magnéticas. Texto bom, às vezes para lá de inusitado, com domínio da atuação, química e muito carisma. Talvez seja esse o pulo do gato de Taylor em Landman. O mundo de extração de petróleo é bruto, parece repelir os fracos e mesmo os emotivos. E sem pieguice ou efeito cebola (tipo This Is Us), acessamos também um mundo muito humano, com relações familiares complexas e que também demandam tanta energia quanto perfurar o solo na busca pelo combustível fóssil.
Neste segundo ano, o personagem de Demi Moore, Cami Miller, assume a companhia petrolífera após a morte do marido (John Hamm). Tommy Norris (Thornton) segue como o braço executivo da empresa em meio a uma crise financeira. Andy Garcia é um bilionário cujo dinheiro tem origem duvidosa, mas que pode salvar a companhia. E Tommy enterra sua mãe ao mesmo tempo em que parece se reaproximar de um pai (Sam), com quem teve uma relação de ódio e desprezo.
