Park Chan wok dirige uma história de desespero, crítica social e escolhas nem sempre corretas mas divertidas em seu absurdo.
You Man su (Lee Byung hun, de Round 6) e sua esposa Miri (Son Ye jin, de Pousando no Amor) têm uma vida confortável, resultado de muito esforço e trabalho. Há 25 anos, ele trabalha na indústria papeleira. Sua dedicação lhe rendeu um prêmio daqueles que só as pessoas do nicho conhecem e dinheiro suficiente para comprar a casa onde morou na infância e onde tem espaço para curtir sua paixão por plantas. O casal tem dois filhos, o adolescente filho dela de um casamento anterior e uma menina, além de dois lindos labradores. Uma verdadeira propaganda de margarina.
Tudo isso vai pelos ares quando americanos compram a empresa em que You Man su trabalha e ele é demitido. No início, ele, assim como tanto outros “enxugados” ou “arejados” por RHs se convence de que em três meses vai conseguir um novo emprego e a crise familiar vai acabar. O que acaba, no entanto, é o dinheiro da rescisão. Miri é a primeira a agir, anunciando os cortes no orçamento. Os cães são despachados para a casa de parentes. Estão fora o clube de tênis e as aulas de dança de salão além de, horror dos horrores, a assinatura da Netflix. Ficam apenas as aulas de violoncelo da caçula, um prodígio musical. Miri também determina a venda da casa. Com o dinheiro, a família vai se mudar para um apartamento e se manter até You Man su encontrar trabalho. Ela também começa a trabalhar como auxiliar num consultório de um jovem dentista.
Desesperado por reconstruir o que perdeu com a demissão, You Man su define um plano para conseguir um novo emprego na indústria papeleira que cada vez precisa de menos gente em meio ao avanço da robótica. Ele cria uma empresa falsa, anuncia uma vaga e analisa os currículos de seus competidores. Em seguida, ele começa a matar um a um.
Claro que um honesto trabalhador não se torna serial killer assim da noite para o dia com a eficiência de, bem, um serial killer. Outros assuntos surgem no meio da matança. O desemprego desvaloriza You Man su aos seus próprios olhos. Não é preciso muito para fontes de sua cabeça dizerem que o jovem dentista está de olho em sua esposa, a ponto dele se recusar a tratar um dente. Como aceitar sua mulher e o homem bem mais jovem e com um trabalho juntos enquanto ele fica numa cadeira de boca aberta? O filho também resolve fazer seu próprio plano para melhorar as finanças da família roubando celulares da loja do pai de um amigo, atraindo a atenção da polícia.
Fantástico no papel de um homem desesperado que não vê outra saída, Lee Byung hun nos leva de um plano mirabolante a outro com total credibilidade. Junto com o diretor Park Chan wok e Son Ye-jin, ótima em seu retorno às telas, A Única Saída é a perfeita mistura de comédia e desespero nessa nova adaptação do livro O Corte, de Donald W. Westlake, que já teve uma versão para o cinema com direção de Costa-Gavras e agora ganha mais uma camada com a discussão sobre o impacto do avanço da Inteligência Artificial sobre o mercado de trabalho.
Sem esquecer que mercado de trabalho é composto por pessoas e que, quando sem saída, os humanos são muito criativos. Estreia em 22/01 distribuído pela Mares Filmes.
