Dona Beja: a novela sobre a mulher que não existiu

Dona Beja: a novela sobre a mulher que não existiu

HBO Max exibe a nova versão da novela de 1986 sobre a mulher que enfrentou a sociedade do Brasil Imperial.

A nova versão de Dona Beja já está disponível na HBO Max com uma releitura para o público de hoje da novela de 1986 que fez sucesso com Maitê Proença na Rede Manchete. O objetivo é contar mais uma vez a história da mulher que desafiou as convenções sociais e regras do Brasil Imperial e comandou um famoso bordel na região de Araxá, em Minas Gerais.

O problema é que, essa mulher tão famosa jamais existiu. Ou melhor, existiu, mas não como a vemos na TV, seja na produção anterior, seja na atual, que tem roteiro de Daniel Berlinsky e Antonio Barreira.

Beja x Anna Jacintha de São José

Nas telas, Beja é Anna Jacintha de São José, uma mulher que após ser sequestrada ainda adolescente e passar algum tempo vivendo com um homem, volta à cidade de Araxá, onde se torna dona de um famoso bordel. Essa personagem, no entanto, é uma ficção, embora Anna Jacintha seja real.

“O que se sabe sobre essa mulher, Anna Jacintha de São José, é muito pouco”, apontou Berlinsky durante a coletiva com o elenco e a equipe de produção da novela.

“Eu estive em Araxá. Foi no Museu da Beja”, continuou o roteirista. “O que você sabe sobre ela é que ela é uma mulher, a princípio solteira, que teve duas filhas de pais diferentes e que se sustentava por si só e que era dona de uma chácara”. Não há, entretanto, documentação que comprove que ela algum dia foi prostituta ou dona de um bordel. Mesmo sendo verdade que Beja desafiou convenções ao ter filhos sem ser casada e ser independente da presença de um marido, toda a história dessa Beja das telas foi invenção de um jornalista.

“Em algum momento, Araxá ia se representar numa feira que ia ter na época e depois em mil novecentos e alguma coisa. E aí, um jornalista, pra levar o mito Beja botou no papel o que se falava no boca a boca.

Base histórica

Enquanto a história de Dona Beja é em boa parte fictícia, outros detalhes do enredo podem surpreender justamente por terem base na história.

“A gente já fez novelas no Brasil do século XIX”, explicou Berlinsky. “Sinhá Moça, Escrava Isaura. O cativeiro está lá, a gente já conhece detalhes, já vimos. Mas será que não existe a experiência do povo negro no Brasil nessa época diferente?”

Em resposta, o roteirista apontou o livro Escritos de Liberdade, de Ana Flávia Magalhães Pinto que retrata a atuação de afrodescendentes livres no cenário político-cultural da época. “Já na introdução ela fala o Censo de 1872, ou seja, um documento histórico, já diz que três em cada quatro negros no Brasil naquela época já não estavam mais no cativeiro. Nenhum de nós sabe disso. Nenhum de nós aprendeu isso no colégio”, aponta Berlinsky.

Vem desse estudo a criação dos personagens Antonio Sampaio, interpretado por David Júnior, e

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