Filmes, séries e livros previram um ano de devastação, luta pela sobrevivência ou, simplesmente que não estaríamos mais por aqui este ano.
Janeiro acabou. As lembranças do peru que virou recheio de torta e do pernil que virou sanduíche pelo décimo ano seguido finalmente se esvaíram. As férias viraram arquivos de imagem no celular – Deus permita que não seja roubado – para serem vistas eventualmente quando alguém resolver fazer uma retrospectiva para o aniversário de outro alguém. Ou um post para meia dúzia de likes.
Hora de pensar em 2026. Um ano que já aconteceu na cabeça de vários autores. Não tem, sem dúvida, o mesmo impacto dos anos mil ou dois mil, quando tanta gente garantiu o fim dos tempos, não termina em zero ou cinco, mas, vamos lá, o seis tem seu charme. Ao contrário do zero, dá para dividir e as pessoas saírem com algo nas mãos ao contrário de nada. E, ao contrário do cinco, dá para dividir por dois sem arranjar briga ou ter de medir onde fica o meio.
Então, vamos ver como 2026 apareceu por aí. Mas, vale o aviso, os prognósticos feitos décadas atrás na ficção mostram um cenário ainda pior do que a seleção de desastres naturais e guerras reais e ameaçadas que vemos no noticiário todos os dias.
As Crônicas Marcianas – Ray Bradbury

Publicadas em 1950, as histórias relatam a conquista de Marte pelos humanos, começando em 1999 e terminando em 2026. Bradbury escreve logo após a Segunda Guerra Mundial, ainda sob o efeito das bombas atômicas e da possibilidade de uma terceira e aniquiladora guerra que arrasaria a Terra e simultaneamente impulsionaria os terráqueos a colonizarem outro planeta. Desconfiança e crença na tecnologia se misturam para lembrar que podemos ir para outro lugar, mas os problemas morais e éticos seguirão conosco.
Planeta dos Macacos: O Confronto
Dez anos após uma epidemia quase extinguir a humanidade, 2026 chega com César comandando uma colônia de macacos próxima a São Francisco no longa de 2014. Parte da tecnologia humana, entretanto, segue funcionando. Mas o principal tema aqui é a violência e como ela segue presente, mesmo com mentes mais sãs tentando outra via para os conflitos.
Expresso do Amanhã
A série de 2020 é baseada no longa de 2013 de Bong Joon-ho e na graphic novel francesa Le Transperceneige, de 1982. O enredo acompanha os passageiros de um trem que circula continuamente com o que resta da humanidade após um ecocídio congelar o planeta. Mas enquanto a Terra como a conhecemos deixou de existir, dentro do trem seguem o preconceito de classes, os privilégios e fermenta uma revolução.
A Parábola do Semeador – Octavia E. Butler

Lançado em 1993, o livro tem o formato de um diário onde a adolescente Lauren Oya Olamina narra fatos e experiências entre os anos de 2024 e 2027. Inicialmente, Lauren vive num condomínio fechado em relativa segurança, enquanto fora dos muros, os Estados Unidos vivem o colapso da economia, a escassez de água e o caos decorrente da falta de recursos. Incêndios e terremotos são cada vez mais comuns, e a criminalidade domina o pouco que resta.
Metropolis
Há dúvidas se a trama do filme se passa em 2026. O livro de Thea von Harbou que deu origem ao roteiro não estabelece uma data, nem as cartelas originais do filme de 1927. Uma edição do livro, no entanto, e uma informação durante o lançamento de uma versão restaurada coloca a ação em 2026. Clássico obrigatório do cinema e da distopia, Metropolis, de Fritz Lang, retrata uma sociedade dividida entre privilegiados na superfície e trabalhadores explorados no subsolo. E mesmo produzido na era do cinema mudo, segue atual ao falar de trabalho e substituição do humano por uma inteligência artificial.
E para quem achou a seleção um tanto pessimista, a coisa não fica melhor depois do próximo peru de Natal. 2027 é cenário de Filhos da Esperança (2006), longa em que a humanidade encara a extinção pela infertilidade e um governo totalitário.
Ou o ano em que a inteligência artificial vai ultrapassar os humanos segundo o cenário hipotético mostrado no relatório AI 2027 do AI Futures Project liderado por Daniel Kokotajlo. Pesquisador da OpenAI, Kokotajlo deixou a empresa por divergência de opinião. Feito em formato de ficção científica, AI 2027 foi escrito por Scott Alexander com base em previsões do grupo que incluem 70% de probabilidade de que a inteligência artificial vai causar danos catastróficos ou destruir a humanidade.
Um meteoro seria menos indolor.
