O gênero de policiais corruptos e dilemas éticos ganha um novo capítulo com Dinheiro Suspeito (The Rip). Dirigido por Joe Carnahan (Casal de Fachada), o longa aposta todas as suas fichas na dinâmica de sua dupla central para sustentar uma trama que, embora não reinvente a roda, entrega o tipo de entretenimento sólido que se espera de grandes nomes de Hollywood.
O coração do filme bate forte graças à química inegável entre Matt Damon (Oppenheimer) e Ben Affleck (Air: A História Por Trás do Logo). Eles interpretam policiais de Miami que se veem em um beco sem saída ético após uma apreensão de valores não declarados. A facilidade com que um completa o pensamento do outro eleva o material, transformando diálogos que poderiam ser burocráticos em embates carregados de história e tensão. O elenco de apoio, com destaque para Steven Yeun (Treta), adiciona o tempero necessário de desconfiança para que o espectador nunca se sinta totalmente seguro.
Se a atuação é o ponto alto, o roteiro apresenta algumas fissuras típicas das produções desenhadas para o streaming. Há uma tendência à super-explicação, como se o filme tivesse receio de perder o espectador que se distrai com o celular. No entanto, para quem busca um jogo de “gato e rato”, as reviravoltas finais compensam o didatismo excessivo do primeiro ato. O clímax é bem construído e entrega o impacto necessário para justificar a jornada.
Joe Carnahan mantém seu estilo visceral, embora aqui pareça mais contido. A ação é crua, mas sofre ocasionalmente com uma montagem inquieta que prejudica a clareza espacial. Fora das telas, o filme carrega a sombra das recentes polêmicas envolvendo o comportamento do diretor, o que adiciona uma camada extra de desconforto à recepção da obra, forçando o público a um exercício constante de separação entre o autor e a tela.
Dinheiro Suspeito funciona como um estudo sobre a ganância e o colapso da lealdade. Não é uma obra-prima de inovação estética, mas é um lembrete do porquê Matt Damon e Ben Affleck continuam sendo os reis do carisma no cinema contemporâneo. Um suspense eficiente que entrega exatamente o que promete, sem pedir desculpas por sua simplicidade. Disponível na Netflix já faz um bom tempo. Ooops! Mas ainda vale a pena.
