Para o diretor Craig Brewer, o cinema sempre foi o lugar onde o ritmo encontra a alma. Depois de explorar o cenário do hip-hop em Ritmo de um Sonho, Brewer volta sua câmera para uma história de amor madura e improvável. Song Sung Blue: Um Sonho a Dois (Song Sung Blue) é inspirado na vida real de Mike e Claire (conhecidos como Lightning e Thunder), um casal de músicos de tributo a Neil Diamond que prova que o brilho dos holofotes não pertence apenas aos jovens.
CriCríticos acompanhou a coletiva com o diretor e os protagonistas Hugh Jackman e Kate Hudson. O que surgiu foi um relato apaixonado sobre a vulnerabilidade de cantar ao vivo e o respeito profundo pelos “músicos de potinho de gorjeta” – aqueles que tocam em restaurantes e bares pelo simples impulso de que precisam da música para sobreviver.
Vulnerabilidade e harmonias no estúdio

Diferente de muitas produções musicais onde o som é editado exaustivamente, Craig Brewer tomou uma decisão ousada: colocou Jackman e Hudson no estúdio de gravação logo após a primeira leitura de roteiro. Para Hugh Jackman, esse foi o “pulo do gato” para criar a conexão necessária entre os personagens. “O estúdio é um lugar muito vulnerável, porque captam absolutamente tudo da sua voz”, explicou Kate Hudson.
Foi sentados em um sofá, apenas com um microfone à frente, que a dupla gravou “Holly Holy”. “Foi ali que tive calafrios e soube que nossas vozes se harmonizariam”, relembrou Jackman. A química não foi apenas técnica, mas emocional, vindo de duas pessoas que, como seus personagens, já viveram o suficiente para entender o valor de uma conexão real. “Acho que o nosso treinamento tem sido as nossas vidas. Fomos capazes de acessar nossas experiências e isso transpareceu”, completou Hudson.
A obstinação do “potinho de gorjeta”

Um dos pontos mais emocionantes da conversa foi a defesa de Hugh Jackman pelos músicos que sobrevivem à margem da grande indústria. Para ele, o personagem Mike representa a obstinação pura. “Ele não desistia. O impulso de cantar é o mesmo, seja em um restaurante tailandês ou abrindo para o Pearl Jam”, afirmou o ator. Mike e Claire se resgatam através da música, usando o catálogo de Neil Diamond como um escudo contra as adversidades da vida.
Kate Hudson, que confessou ter descoberto a profundidade da obra de Diamond durante o filme, destacou o senso de esperança que perpassa as canções do compositor. “Ele realmente escreveu música para se conectar com as pessoas. Mergulhar em canções como ‘I’ve Been This Way Before’ foi uma descoberta maravilhosa”, contou ela, ressaltando que o filme é, em sua essência, sobre a alegria de encontrar alguém que compartilha a mesma linguagem silenciosa da melodia.
Viver o agora sem olhar para trás

A narrativa de Song Sung Blue também lida com o absurdo do destino – como o momento real em que a Claire da vida real sobreviveu a dois acidentes de carro quase idênticos. Para Kate Hudson, essa sequência define a filosofia da personagem: “O que é a vida se não a estivermos vivendo a cada segundo? Qualquer coisa pode acontecer a qualquer momento”.
O filme termina sendo um lembrete de que o sucesso não se mede apenas por fama, mas pela coragem de fazer exatamente o que nos faz sentir conectados. Como resumiu Jackman, a magia do projeto está em sentir o poder da música através de uma história de persistência. Mike não abriu mão de seu sonho há 30 anos e, agora, através de Jackman e Hudson, essa história finalmente chega ao mundo com a urgência e a alegria que sempre mereceu.
