Crítica | Filme | Springsteen: Salve-me do Desconhecido

Crítica | Filme | Springsteen: Salve-me do Desconhecido

Finalmente assisti à cinebiografia Springsteen: Salve-me do Desconhecido, disponível no streaming da Disney. Agora entendo porque a empresa não fez muita questão de apresentá-lo em uma tradicional cabine à imprensa especializada. Não é um filme fácil, até mesmo para quem é fã de Bruce.

O longa é muito fechado, focando em um momento específico e delicado da carreira do Boss. Essa estratégia não é ruim, funcionou com Ray (2004), por exemplo. É uma opção, caso não se queira dar uma geral em toda a carreira do cinebiografado.

Springsteen: Salve-me do Desconhecido recompõe recortes da infância e do processo criativo extremamente caótico do álbum Nebraska, lançado em 1982 e um dos mais marcantes na história do músico americano. Se os fãs esperavam algo na linha de Bohemian Rapsody (2018), com muita música no ar, so sorry!

Até podemos ouvir alguns hits cantados pelo Bruce de Jeremy Allen White (O Urso), mas o foco da produção é mesmo essa crise de depressão que o entorno do músico detectou nessa época. E que o tem acompanhado sob cuidados desde então.

Mesmo não sendo fã de carteirinha do homem, passei as quase duas horas do filme esperando algo. Redenção, virada de chave, um pouco mais de Born in the USA… Não. A coisa não tem exatamente um final feliz… Como é na vida! Ou seja, a cinebiografia Springsteen tenta ser cru e palpável, bem como a própria música que Bruce entregou ao mundo no período. A exata tradução do que ele sentia nessa época e que teve habilidade para por em letra e música. Uma emulação da vida.

Para dar conta de uma história densa e profunda, não dava para escalar qualquer rostinho bonito americano que simulasse Bruce Springsteen. Muitos atores podem ser treinados para fazer isso. Mas o próprio Boss deu as benções para Jeremy Allen White, que já tem uma carinha depressiva natural. Não bastava isso, contudo, tinha que ter estofo para encher a tela de emoção na hora do drama. E Jeremy faz isso muito bem. Dá para entender os elogios ao seu trabalho.

O outro Jeremy, o Strong (O Aprendiz), também está bem na pele do empresário de Bruce. E houve tempo até mesmo para Stephen Graham (Adolescência) mostrar seu talento vivendo o pai do músico.

É bom lembrar que o filme foi adaptado do livro Deliver Me From Nowhere, de Warren Zanes, portanto, não espere revelações, pólêmicas ou aquilo que ninguém viu. O tom de Springsteen: Salve-me do Desconhecido é morno e tem a ver com a pessoa Bruce Springsteen, não a persona.

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