Crítica | Filme | Isso Ainda Está de Pé?

Crítica | Filme | Isso Ainda Está de Pé?

Alex e Tess são o típico casal classe média dos Estados Unidos, com uma casa num bairro arborizado – hipotecada, claro – emprego, filhos, cachorro. Eles estão também se divorciando. Uma separação amigável e civilizada, daquelas que incluem convivência, compartilhamento de responsabilidades pelos filhos e permanência dos amigos do casal. Os sogros amam Tess e servem de rede de apoio.

Ainda assim, divórcio é divórcio e uma noite, um tanto perdido e outro tanto chapado, Alex resolve parar num clube de comédia e, para não pagar 15 dólares de consumação, se apresenta no palco de stand up. Alex não é comediante, nunca pensou no assunto, mas tem seu charme de homem comum que ri de si mesmo e acaba tomando gosto pela coisa, o palco no porão fazendo as vezes de divã de terapia, o público como um amigo disposto a ouvir.

A premissa lembra Maravilhosa Sra. Maisel, série sobre uma mulher que se reconstrói após o divórcio a partir de uma entrada não planejada num palco de stand up. Mas, enquanto a série com Rachel Brosnahan é engraçada, Isso Ainda Está de Pé não é só é um drama como parece interminável, o que é uma pena para todos os envolvidos.

No papel de Alex, Will Arnett (The Morning Show) está perfeito como o cara de meia-idade que se vê fora do ninho pela primeira vez em mais de vinte anos. Laura Dern (Adoráveis Mulheres) é uma ótima atriz e Bradley Cooper, que nos deu o fantástico Maestro (2023), além de dirigir e ser autor do roteiro com Arnett e Mark Chappell, parece se divertir como Balls, o amigo ator permanentemente chapado, casado com a artista Christine (Andra Day). Casal, aliás, que parece mais à beira do divórcio do que Alex e Tess, mas segue junto em seu modelo muito próprio de relacionamento. O elenco tem ainda Ciarán Hinds (Belfast) como o pai de Alex, e Sean Hayes (Will & Grace) como parte do grupo de amigos descolados do casal. Nomes conhecidos do stand up como Jordan Jenson, Reggie Conquest e Chole Radcliffe, Sam Jay e Dave Attell aparecem como personagens ou como eles mesmos.

O ambiente do stand up é divertido e interessante, e a trajetória de Alex e Tess em busca de uma nova versão de si mesmos, ele encontrando algo novo e ela reencontrando um passado que abandonou por vontade própria mas deixou mágoas, é um tema também atrativo, ainda mais quando interpretado por atores tão bons.

Mas, algo não funciona na junção das partes, resultando num filme que parece não ter um rumo certo. Não é um romance com final feliz, não é um filme do qual se sai leve, não é um drama pesado. É sobre a complexidade dos relacionamentos e a pergunta se muito dela não é criado por nós mesmos. É sobre maturidade e coisas estranhas como Alex ser capaz de falar de seus maiores problemas com uma plateia de estranhos, mas não com a mulher com quem divide a vida. Talvez por tudo isso deixe a sensação de durar bem mais que suas duas horas. Estreia em 19/2 distribuído pela Searchlight Pictures.

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