Robert Carradine faleceu aos 71 anos, deixando uma carreira sólida e multifacetada no cinema e na televisão norte-americanos, além de um legado profundamente marcado pelo afeto familiar. Membro de uma das dinastias mais emblemáticas de Hollywood, Carradine construiu um percurso próprio, equilibrando papéis emblemáticos, talento reconhecido e uma vida pessoal pautada pelo cuidado com os seus.
Filho caçula do veterano ator John Carradine e irmão de David Carradine e Keith Carradine, Robert nasceu em 24 de março de 1954 e fez sua estreia no cinema ainda jovem, em Os Cowboys (1972), contracenando com John Wayne. A partir dali, seguiu um caminho que o levaria a trabalhar com alguns dos nomes mais importantes do cinema autoral norte-americano dos anos 1970.
Entre seus primeiros destaques estão participações em Caminhos Perigosos (1973), de Martin Scorsese, e em Amargo Regresso (1978), vencedor do Oscar, dirigido por Hal Ashby, no qual atuou ao lado de Jane Fonda e Jon Voight. Esses trabalhos consolidaram sua reputação como um ator sensível, capaz de transitar entre o drama intenso e personagens de forte presença emocional.
Em 1980, Robert viveu um momento especial de afirmação artística com dois filmes exibidos no Festival de Cannes. Um deles foi Agonia e Glória, de Samuel Fuller, e o outro, Cavalgada dos Proscritos, dirigido por Walter Hill, no qual atuou ao lado dos irmãos Keith e David. O filme tornou-se célebre por escalar irmãos reais para interpretar bandos históricos do Velho Oeste, reforçando a ideia de que, para os Carradine, família e trabalho sempre caminharam juntos.
O grande sucesso popular viria em 1984, quando Robert se eternizou como Lewis Skolnick em A Vingança dos Nerds. O personagem transformou-se em um ícone da cultura pop dos anos 1980 e garantiu ao ator um lugar definitivo no imaginário de toda uma geração. Décadas depois, ele voltaria a conquistar um novo público ao interpretar o pai da protagonista na série Lizzie McGuire, reafirmando sua versatilidade e carisma na televisão.
Fora das telas, Robert Carradine era conhecido por sua dedicação absoluta à família. Pai da atriz Ever Carradine, a quem criou sozinho durante muitos anos, ele sempre colocou os filhos e, mais tarde, os netos no centro de sua vida. Amigos e parentes lembram que, quando não estava filmando, tocando violão ou envolvido em suas paixões pessoais, seu tempo era dedicado a acompanhar jogos infantis, competições equestres ou simplesmente estar presente.
Segundo familiares, Carradine enfrentou por quase duas décadas o Transtorno Bipolar, uma batalha silenciosa que marcou seus últimos anos. Em comunicado divulgado à imprensa, a família destacou não apenas a dor da perda, mas também o desejo de que sua história ajude a ampliar o diálogo e a combater o estigma em torno das doenças mentais. Seu irmão Keith ressaltou que Robert foi o alicerce emocional da família, um homem generoso, espirituoso e dotado de uma empatia rara.
Robert Carradine deixa filhos, netos, irmãos, sobrinhos e uma extensa rede de amigos e admiradores. Para além dos personagens que interpretou, será lembrado como alguém de coração aberto, profundamente ligado aos seus e que fez da convivência familiar – muitas vezes expressa em gestos simples, como levar ou buscar alguém no aeroporto — uma extensão natural de quem ele era. Uma vida marcada pelo talento, pela afetuosidade e por uma presença que seguirá viva na memória de todos que o conheceram.
