Não pense que isso é uma novidade no mercado de streaming. Após a Disney comprar a Fox, alguns passos foram dados para criar um conteúdo mais robusto a partir dos acervos dos dois grandes estúdios de Hollywood. O primeiro deles foi unir áreas em comum, promover cortes mais eficientes e começar a operar sob uma única bandeira. Isso aconteceu inicialmente na área de televisão internacional, quando os canais Fox passaram a se chamar Star.
O mesmo ocorreu com a plataforma de streaming Star+, lançada após a aquisição da 21st Century Fox pela Disney, especialmente na América Latina. Há pouco menos de dois anos, todo o conteúdo do Star+ foi incorporado ao Disney+, agregando produções da antiga Fox e da Searchlight Pictures. Dentro do Disney+, contudo, não existe uma separação rígida por selos: cada filme e cada série seguem seu próprio caminho dentro da plataforma, organizados por algoritmos e categorias, e não necessariamente por marca de estúdio.
Nos Estados Unidos, o Hulu – plataforma que já distribuía conteúdos da Fox antes da aquisição – passou a ter uma integração gradual com o Disney+, mantendo, porém, sua identidade própria. A estratégia foi preservar o selo associado a conteúdos mais adultos, como as séries O Urso e O Dia do Chacal, reforçando a segmentação de público dentro do ecossistema da empresa.
Segundo David Ellison, CEO da Paramount Skydance, o próximo passo após a eventual fusão da Warner Bros. Discovery com a Paramount seria unificar os serviços de streaming em uma única plataforma. Na prática, seria um movimento semelhante ao que a Disney realizou após a aquisição da Fox, colocando os conteúdos dos diferentes estúdios sob um mesmo guarda-chuva corporativo. Os dois serviços somam hoje, segundo dados divulgados pelo próprio Ellison, algo em torno de 200 milhões de assinantes globalmente.
A única ressalva feita pelo executivo, em conversa com a imprensa, foi a garantia de que a criação de conteúdo continuará sendo realizada com independência criativa – especialmente no que diz respeito às produções de alto padrão que historicamente marcaram a HBO. Na prática, o que pode acontecer é a criação de uma nova plataforma unificada, na qual o consumidor teria acesso aos conteúdos dos dois catálogos. Algo semelhante ao que ocorre na Amazon Prime Video, que permite a contratação adicional de outros serviços de streaming, como Paramount+ e Max, por meio de assinaturas complementares.
Certamente, trata-se de um novo momento dentro do mercado de streaming, marcado por consolidações, reorganizações estratégicas e redefinições do modelo de distribuição de conteúdo audiovisual.
