A 98ª cerimônia do Oscar, realizada na noite deste domingo (15/3) no Dolby Theatre, terminou com um gosto agridoce para o cinema brasileiro. O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, não converteu nenhuma de suas quatro indicações em estatuetas, mas a repercussão internacional e o impacto da campanha brasileira dominam os debates da imprensa especializada nesta segunda-feira.
O peso da concorrência
O longa pernambucano, que concorria nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator (Wagner Moura) e Melhor Escalação de Elenco (uma das novidades desta edição), enfrentou o que críticos chamam de uma “safra de gigantes”.
Na categoria de Melhor Filme Internacional, tida como a maior chance do Brasil, o vencedor foi o norueguês Valor Sentimental, de Joachim Trier. Já na categoria principal de atuação, Wagner Moura foi superado por Michael B. Jordan, que levou o prêmio por sua performance em Pecadores. O grande vencedor da noite foi Uma Batalha Após a Outra, de Paul Thomas Anderson, que faturou seis prêmios, incluindo Melhor Filme e Melhor Direção.
A consagração de Wagner Moura e o “Efeito Kleber”
Apesar da ausência de prêmios físicos, a recepção à performance de Wagner Moura foi histórica. O ator foi aclamado pela crítica internacional como um dos grandes destaques da temporada. Analistas apontam que a indicação consolidou Moura no primeiro escalão de Hollywood e reforçou a visibilidade do cinema falado em português em escala global.
Nas redes sociais, Kleber Mendonça Filho reagiu com otimismo após o encerramento da festa: “Obrigado Brasil. Pronto para o próximo”, publicou o diretor, encerrando uma jornada de 10 meses de promoção internacional que levou o filme a mais de 2 milhões de espectadores e arrecadou R$ 50 milhões em bilheteria apenas no mercado interno.
Repercussão e legado
Para especialistas do setor, o resultado evoca o sentimento de “vitória moral”, termo cunhado com a campanha da Seleção Brasileiro de Futebol na Copa do Mundo de 1978. Embora o Brasil não leve o ouro, as quatro indicações de O Agente Secreto são vistas como um marco que retira o cinema nacional do lugar de “surpresa exótica” e o posiciona como uma produção recorrente de alto nível.
“O mundo volta a olhar para o Brasil como uma potência emergente do entretenimento global”, destacam analistas da indústria.
A trajetória do filme, iniciada com grande impacto no Festival de Cannes 2025, é celebrada como um triunfo técnico e artístico que facilitará o financiamento de futuros projetos nacionais de grande porte.
Não podemos deixar de lado também a relevância da indicação do brasileiro Adolpho Veloso na categoria Melhor Fotografia por Sonhos de Trem, outro que não venceu. Quem ganha mesmo assim, contudo, é o cinema e a cultura brasileira.
