Lembro o primeiro filme que vi com Chuck Norris: ele interpretava um vilão obscuro, faixa-preta em caratê, que enfrentava nada menos do que Bruce Lee. O mesmo Bruce Lee que, frustrado com o cancelamento da série O Besouro Verde em Hollywood, viajou para Hong Kong, tornando-se o mestre das artes marciais no cinema. O filme O Voo do Dragão (1972) teve como cenário para o combate épico entre Lee e Norris nada menos do que o Coliseu de Roma.
Curiosamente, já tinha visto o rosto de Chuck Norris antes. Não lembrava na época, mas, durante a pesquisa para este texto, descobri a peça que faltava na memória: ele atuou em um episódio do drama escolar Sala 222 (1970), onde ajudava um jovem aluno a se defender do bullying usando caratê. O episódio termina de forma irônica, já que o jovem, após aprender a lutar, começa a praticar bullying contra quem o atacava anteriormente.
Mesmo tendo estrelado outros filmes marcantes como Massacre em São Francisco (1974) e Os Bons se Vestem de Preto (1978), foi nos anos 1980 que ele consolidou a carreira de protagonista em filmes de ação e artes marciais. Nascido Carlos Ray Norris, em 10 de março de 1940, em Ryan, Oklahoma, ele iniciou sua trajetória na Força Aérea dos Estados Unidos antes de se dedicar ao caratê, modalidade na qual rapidamente se destacou, conquistando títulos importantes e tornando-se um dos principais nomes da prática. Nesse período, desenvolveu amizade com Bruce Lee – parceria que o levaria ao cinema em O Voo do Dragão.
Ao longo das décadas de 1970 e 1980, Chuck Norris consolidou-se como um dos principais rostos do cinema de ação, estrelando produções que reforçaram sua imagem de herói implacável e moralmente incorruptível. Entre esses filmes estão Octagon – Escola de Assassinos (1980), O Ajuste de Contas (1981), Fúria Silenciosa (1982), Vingança Forçada (1982), McQuade – O Lobo Solitário (1983), Bradock – O Super Comando (1984), Código do Silêncio (1985), Invasão USA (1985) e Comando Delta> (1986).
Embora frequentemente ignorados pela crítica, esses filmes conquistaram enorme popularidade junto ao público e ajudaram a definir o estilo do cinema de ação da época, marcado por combates físicos, heroísmo direto e narrativas de justiça individual. No Brasil, ele se tornou um dos heróis dos filmes de ação que chegavam às videolocadoras.
O maior sucesso de sua carreira, no entanto, veio da televisão. Em 1993, Norris assumiu o papel do ranger Cordell Walker na série Walker, Texas Ranger, batizada pelo SBT como Chuck Norris: O Homem da Lei, estreando em 1995 no horário nobre da emissora. Misturando ação policial com artes marciais e um forte código moral, a produção tornou-se um fenômeno global. Exibida por nove temporadas, até 2001, a série ampliou ainda mais a popularidade de Norris, consolidando-o como um ícone também fora do cinema.
A série sobre o patrulheiro do Texas, uma das forças policiais mais antigas dos Estados Unidos, bebeu na fonte de um de seus sucessos anteriores, McQuade – O Lobo Solitário. Assim como McQuade, Walker era um herói que combinava habilidades de combate com valores tradicionais, atuando como defensor da justiça em histórias diretas e acessíveis ao grande público – algo distante da nova versão estrelada por Jared Padalecki (Supernatural).
Chuck Norris construiu uma carreira baseada em disciplina, presença física e autenticidade. Mais do que ator, tornou-se um símbolo cultural – de lutador respeitado a estrela de ação e, posteriormente, figura quase mítica da cultura pop. Seus filmes e sua série ajudaram a popularizar as artes marciais no Ocidente e influenciaram gerações de fãs e profissionais do gênero.
Ele deixa a esposa, Gena O’Kelley, filhos, netos e um legado duradouro no entretenimento mundial.
