Na Academia da Frota Estelar

Academia da Frota Estelar acaba na segunda temporada

Não é fácil fazer um filme ou uma série baseada em personagens conhecidos e reconhecidos no mundo inteiro. Eles deixam de ser personagens para se transformarem em ícones da cultura pop, permeando o imaginário e o real dos seguidores. Por isso, não se deve subestimar a importância e relevância desses fãs leais ao criar uma produção relacionada a algo importante, como um videogame, uma história em quadrinhos ou uma série clássica.

Jornada nas Estrelas tem, sem trocadilho, uma trajetória diferente de outras produções baseadas em ícones. A franquia começou na TV nos anos 60, avançou nos cinemas no final dos anos 70, construiu novas séries baseadas na ideia original de Gene Roddenberry no final do século 20, mas ainda enfrenta desafios no século 21.

Neste século, foram produzidas as séries Enterprise (2001), Discovery (2017), Picard (2020), Novos Mundos (2022) e as animações Subalternos (2020) e Prodigy (2021). Nenhuma delas passou de cinco temporadas. É bom lembrar que Enterprise seguiu o padrão tradicional das séries exibidas na televisão, com cerca de 22 episódios por temporada, enquanto as demais não passam de dez episódios. Por isso, a expectativa em torno de Jornada nas Estrelas: Academia da Frota Estelar era muito grande. A série prometia mostrar a formação dos grandes oficiais que continuariam as jornadas de Kirk, Picard, Janeway e Sisko, especialmente porque, ao contrário das outras séries, que se passam entre os séculos 23 e 24, Academia da Frota Estelar é ambientada no século 32.

Após uma crise que quase destruiu o universo, coube à capitã da Discovery, Michael Burnham (Sonequa Martin-Green), escapar para esse futuro e colocar a história novamente em andamento. Academia da Frota Estelar nasce neste novo século com a missão de reconduzir a Federação Unida de Planetas a um futuro melhor e com perspectivas positivas para todo o universo.

Infelizmente, a história criada pelo trio de roteiristas e produtores Alex Kurtzman, Gaia Violo e Noga Landau não conseguiu quebrar a barreira das cinco temporadas. Muitos críticos apontaram em suas redes sociais que faltou mais exploração da ficção científica pelos personagens criados para a série. Para piorar, a comparação com outras séries de jovens, como Barrados no Baile e Gossip Girl – A Garota do Blog, tornou-se inevitável.

Nem mesmo astros ganhadores do Oscar, como Holly Hunter (O Piano) e Paul Giamatti (Entre Umas e Outras), conseguiram gerar energia suficiente para engajar até os fãs mais radicais de Jornada nas Estrelas. Com dez episódios em sua primeira temporada, a série quase foi cancelada, se os produtores não estivessem produzindo o segundo ano em paralelo com a exibição da primeira.

O anúncio do fim veio através da manchete do Deadline, um dos mais importantes sites de notícias do entretenimento: “Não haverá uma terceira temporada para Star Trek: Starfleet Academy”. No comunicado divulgado em conjunto pela Paramount+ e CBS Studios, foi informado que a produção acaba em sua segunda temporada, em 2027.

O comunicado destaca: CBS Studios e Paramount+ “estão incrivelmente orgulhosos da ambição, paixão e criatividade investidas para dar vida a Star Trek: Starfleet Academy. A série apresentou ao público um novo e ousado grupo de personagens, acolheu rostos familiares e expandiu o universo de Jornada nas Estrelas de maneiras novas e empolgantes. Somos gratos a Alex Kurtzman, Noga Landau, Gaia Violo e a todo o elenco e equipe que ultrapassaram os limites da narrativa no espírito da visão de Gene Roddenberry”.

É o fim de uma era dentro da CBS e Paramount. A nova fase deve começar assim que a compra da Warner Bros. pela Paramount Skydance for efetivada. Com isso, ideias como Jornada nas Estrelas – Ano 1 ou a nova série com Jonathan Archer, da série Enterprise, chamada Star Trek: United, começam a circular nas redes sociais como futuros projetos da nova administração.

Longa vida e próspera…

Deixe uma resposta