Assistir ao novo trabalho de Martin Bourboulon (diretor que recentemente deu uma nova cara para Os Três Mosqueteiros: D’Artagnan) é como ser jogado no meio de um formigueiro em chamas. O filme, que a California Filmes traz para os cinemas em 26 de março, não perde tempo com introduções educadas. Ele nos coloca dentro da embaixada francesa no Afeganistão em agosto de 2021, exatamente no momento em que o mundo assistia, atônito, à retomada de Cabul pelo Talibã.
O que vemos na tela é o avesso do heroísmo de Hollywood. Roschdy Zem (vencedor do César por Crime em Roubaix) interpreta o comandante Mohamed Bida com sobriedade. Ele não é um “Rambo”; é um homem tentando manter a logística do impossível: evacuar 500 pessoas enquanto o cerco se fecha. É o tipo de atuação que segura o espectador pelo colarinho, mostrando o peso de cada decisão tomada sob o som de tiros e gritos. Sem saber se haverá um final deliz.
A montagem é o que dita o batimento cardíaco da obra. Bourboulon usa a câmera para sufocar, alternando entre o caos das ruas e a tensão dos corredores da embaixada. No elenco, nomes como Lyna Khoudri (A Crônica Francesa) e Sidse Babett Knudsen (Borgen) trazem o rosto humano de quem sabe que o tempo é um luxo que eles não têm.
Baseado no livro do próprio Bida, o roteiro não doura a pílula sobre o fracasso das forças internacionais no Afeganistão. Claro, o filme foca no “olhar francês” e não oferece um contexto geopolítico, mas isso é o que sobra para o público. No meu caso, o que ficou foi a sensação de que a humanidade ali estava sendo negociada a cada minuto.
Se levarmos em conta de que o mundo se arrasta em conflitos semelhantes há um tempão – e que todos acabamos afetados por eles! -, diria que é o que conta.
13 Dias, 13 Noites é um thriller político que mostra a caoticidade da guerra, quando os poderosos aceitam um percentual de efeitos colaterais, como a morte de inocentes. E o sofrimento de quem está na linha de frente ainda com alguma humanidade.
