Quando iniciamos os nossos primeiros passos, sem auxílio das mãos que nos guiam, começamos a contar o tempo, que irá nos acompanhar o resto de nossas vidas.
Assim, a nossa vida passa a ser controlada pelo tempo, que se mostra generoso por vezes e outras nem tanto.
Tempo, que se divide em anos; anos que se dividem em meses; meses que se dividem em dias; dias que se dividem em horas; horas que se dividem em minutos; e minutos que se dividem em segundos. E a nossa vida que se divide e é regida em tempo.
Na infância o tempo passa lento. Contado por aniversários e festas, cercado de presentes e brinquedos. Alimenta-se dos segundos e minutos, mas já pensando nas horas.
Na juventude o tempo não sabe se adianta o relógio ou se espera um pouco o passar dos sonhos. O primeiro beijo, o corte dos cabelos, o primeiro sutiã, a primeira barba. Porém, se esperarmos um pouco, nos cobrará mais adiante.
Agora se alimenta com apetite de jovem, das horas. Porquanto, os segundos e minutos não o saciam mais.
No princípio de adulto, o tempo já demonstra um pouco mais de pressa. O princípio de uma grande maratona. Deixa-nos livre do passado, fazendo-nos pensar somente no futuro.
O relógio do tempo agora demonstra seu apetite pelos meses. Mesmo ainda se alimentando dos dias, pois já não se sacia mais com as horas e muito menos com os minutos e segundos.
Na idade depois dos trinta, já chegando aos quarenta, o tempo começa a nos evitar. O começo de uma luta que vamos ter que travar mais cedo ou mais tarde, onde só existe um vencedor: o tempo.
Este tempo que tanto esperamos e veneramos já não se sacia com os segundos, minutos, horas, dias e meses. Agora, somente anos.
Na meia-idade sentimos que a luta, a qual travamos com o tempo nos últimos anos, está sendo perdida. Os nossos olhos já não avistam mais o senhor dos tempos. Nossas mãos e pernas perderam para ele.
O tempo que tanto aguardamos e preservamos, não se sacia mais com os segundos, minutos, horas, dias, meses e anos. Agora, ele, o tempo, começa a nos cobrar que estamos demais.
Contudo, na velhice nada mais nos importa, pois sabemos que cumprimos com o dever do ensinar e amar. Vimos a vida passar e os nossos sonhos envelhecerem em nossa companhia.
O tempo, tão voraz no decorrer dos segundos, minutos, horas, dias, meses e anos, agora se rende ao nosso modo de ser e conosco chora o amanhecer na despedida do velho amigo.
