Crítica | Filme | Madame Teia

Crítica | Filme | Madame Teia

Cada vez mais fica claro que a agenda woke só pensa naquilo: pegar personagens da cultura pop e tentar moldá-los em algo oposto à sua criação, seja por questões raciais, identitárias ou simplesmente porque estão deixando fazer. Madame Teia, que chega essa semana aos cinemas brasileiras (15/2) é a mais recente vítima dessa agenda.

A personagem surgiu em um gibi do Homem-Aranha em 1980. Cassandra Webb nasceu cega e acabou adquirindo habilidades psicocinéticas, como telepatia, projeção astral e leitura de mentes, entre outras de suas habilidades mutantes. Como nunca foi uma personagem relevante, sua história foi reescrita várias vezes.

E você, leitor, perguntaria: e por que fazer um filme com ela?

Agenda woke

Dentro dessa agenda woke há uma luta constante para forçar o empoderamento feminino em todos os filmes e séries que vêm sendo produzidos nos últimos anos. Quem conhece um pouco da história de Hollywood sabe que a mulher, a personagem feminina, sempre foi empoderada. Dois exemplos: Scarlet O’Hara, de E o Vento Levou…, e a tenente Ripley do filme Aliens – O Resgate.

Scarlet era uma jovem moça rica da sociedade de Atlanta, antes da Guerra da Secessão. Com a guerra, ela tem que sobreviver, salvar sua família, lutar contra a fome e usar de sua inteligência para sobreviver ao pós-guerra. Sai uma garota mimizenta e entra uma mulher forte e determinada.

Em Aliens – O Resgate, Ripley é convocada a volta ao planeta onde conheceu a criatura que dizimou sua tripulação. Além de relutante, ela não quer encarar o terror do passado. Ao chegar no planeta, descobre uma única sobrevivente de um massacre que aconteceu na colônia humana. A pequena Newt passa a ser seu objetivo de vida. Ela vai fazer de tudo para manter a garota salva, o que pode ser visto na sequência final do filme.

Empoderamento

Na história de Madame Teia, a gente conhece o passado da mãe de Cassandra, uma pesquisadora que vai ao amazonas localizar uma espécie rara de aranha com poderes curativos. Só que isso acaba lhe custando a vida, porque seu assistente, Ezekiel, rouba o espécime e deixa uma bala na doutora.

Ela é salva pela lendária tribo de homens-aranhas. Eles realizam o parto da garota, dizendo que um dia Cassandra terá que voltar para descobrir seu passado. Cassandra volta para os EUA, onde cresce em lares adotivos, tornando-se socorrista.

Aí vamos conhecer essa personagem adulta, interpretada por Dakota Johnson, da trilogia 50 Tons de Cinza. Ela é uma pessoa alegre, aparentemente carismática, mas não gosta de socializar. Sua vida pessoal é triste, mesmo quando ela passa a impressão de que não. Tudo isso muda quando ela sofre um acidente durante um atendimento.

A origem

Ela é declarada morta por minutos. E quanto volta à vida, aflora um de seus poderes: o de ver o futuro imediato. Receosa de que está perdendo o juízo, Cassandra não comenta o que está acontecendo com ninguém.

Do outro lado da cidade, Ezequiel, que usou a aranha especial para adquirir poderes, tem uma visão do futuro onde três super-heroínas, trajando uniformes similares ao do Homem-Aranha, lutam com ele e ele perde a vida.

Aí vem o objetivo do vilão: ele vai tentar localizar as três garotas antes que se tornem heroínas e matá-las. Aff…

Trio sem noção

Por uma coincidência do roteiro, Cassandra está no trem onde irão embarcar, Julia (Sydney Sweeney), Anya (Isabela Merced) e Mattie (Celeste O’Connor), as três representando a diversidade.

E aqui não importa dizer que todas elas são adolescentes sem noção, que não esquentam a cabeça com nada e, dificilmente, obedecem a um adulto. Terão que fazer isso pelas forças da circunstância, quando Cassandra visualiza Ezekiel matando cada uma delas.

O filme não está preocupado em desenvolver a clássica Jornada do Herói, de Joseph Campbell, algo que vários personagens de quadrinhos passaram, como o próprio Homem-Aranha. Cassandra sabe que tem que fazer algo, mas quer se livrar do trabalho de cuidar de três adolescentes sem noção. Sua preocupação é saber porque tem essas visões, como pará-las e tocar sua vidinha medíocre. Algo tem que ser feito para deter Ezekiel.

Barra forçada

Os próximos 70 minutos de filme (que tem 1h57min no total) é uma correria de efeitos visuais, brigas alucinadas, discussões sobre o sexo dos anjos e arrependimentos de vida. Nada chega perto ao que poderia ser se os produtores, roteiristas e diretora, tivessem deixado a agenda de lado e fizessem um filme pipoca. Não chegaram perto.

Tentaram colocar quatro personagens em destaque, mas esqueceram de acender a luz sobre elas. Acho que os produtores de filmes de super-heróis deveriam rever seus conceitos de personagens femininas fortes como as citadas acima, mas saindo da barra forçada dessa agenda que só tem afastado os fãs do cinema e da telinha.

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