Iwájú significa o futuro na língua Iorubá. E é esse o cenário da nova série animada do Disney+ que estreia dia 10/4 com seis episódios. Ambientada numa versão futurista de Lagos, na Nigéria, uma cidade repleta de avanços tecnológicos interessantes, embora inconstantes. Temos robôs que podam cercas vivas, mas as folhas caídas têm de ser catadas por um humano. Temos carros voadores e ambulantes com robôs que vão até as alturas para oferecer seus produtos aos motoristas no ar, mas, aparentemente nada foi desenvolvido para fazer a faxina ou manter as ruas limpas.
A desigualdade também atinge a sociedade. Os muito ricos vivem em uma ilha de belas casas e prédios. O restante da população vive no continente onde a pobreza extrema ainda é uma realidade, assim como o poder do crime. É um cenário de muita cor e forte identidade cultural, com os diálogos marcados por expressões tanto em Iorubá como em Naijá, língua que mistura inglês, português e idiomas locais nascida da história da Nigéria de muitos povos e muitas invasões.
Heroína
É nesse universo que vive Tola, nossa heroína de dez anos. Como outras “princesas” Disney – pelo menos as da nova safra – ela é inteligente, curiosa e disposta a tomar decisões para obter o que quer. E tem um animalzinho para acompanhá-la, dessa vez um lagarto tecnológico. Outros elementos básicos também estão presentes, como os genitores solo. Tola vive apenas com o pai. Seu melhor amigo, Kole, vive apenas com a mãe.
Há ainda a tradicional dificuldade da produção audiovisual em admitir que existem pessoas más no mundo. E assim, uma parte dos episódios é dedicada a explicar que o vilão tem um passado de pobreza para justificar sua carreira no crime e o ódio a gente privilegiada como Tola. Seria mais realista mostrar pessoas que roubam porque é a forma mais rápida e fácil de obter as coisas. Mas, se até Darth Vader ganhou um passado de dor, nada impede que façam o mesmo com um criminoso comum.
A desigualdade social é um dos temas básicos de Iwájú, presente na diferença entre o mundo de Tola e o de Kole, entre Bode, o criminoso do continente, e Tunde, o bem-sucedido pai da menina. Mundos que se chocam quando a menina consegue convencer o amigo a levá-la para conhecer o continente. Superprotegida, ela logo descobre que ali é apenas mais uma criança rica a ser trocada por um resgate.
O drama, no entanto, deve se resolver ao final dos seis episódios, com um final feliz clássico. Mas apesar de seguir o modelo em tantos pontos, Iwájú tem charme e, se tiver criatividade para encontrar um novo mistério a ser resolvido, pode até ter uma segunda temporada.

Adorei. Como amante da cultura Yorubá vou assistir com o meu filho.
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