Poesia | Liberdade... Abre as asas do sonhar

Poesia | Liberdade… Abre as asas do sonhar

Liberdade, liberdade

Abra as asas sobre nós,

Nos rastros do rubro sangue

De tinta, teu afável povo escreveu.

Liberdade… Teu negro povo.

Nos porões dos navios negreiros,

Homens, mulheres e crianças.

Arrancadas da terra onde nasceram,

Se amontoam…

No escárnio do mau cheiro.

Liberdade… Teu negro povo.

No mercado das praças públicas,

Multidão, raiva e delírio da pele negra,

Seus andrajos se rasgam…

O físico, maltratados pela fome,

Leilão se consome.

Liberdade… Teu negro povo.

Nas senzalas das grandes fazendas,

Suas mãos, pés, argolas e grilhões,

O tinir dos ferros agora, companheiros na desdita,

A terra longínqua…

Lágrima sofrida.

Liberdade… Teu negro povo.

Nas esposas, filhas e até princesas,

Corpo pasto…

Primeiro, o senhor do engenho,

Depois o suor do feitor

O resto… Humilhado,

Nos braços do verdadeiro amor.

Liberdade… Teu negro povo.

As costas endurecidas do sol-trabalho,

O açoite estala sobe e desce serpeando

E rasgando, a pele da dor se abre.

O sangrar escorre, até tingir

O chão de o teu sofrer.

Liberdade… Teu negro povo.

Nas noites estreladas,

O astro Lua alumia.

O caminho do pensamento

A terra, que ficou distante.

Mas que a morte-liberdade há de trazer.

Liberdade… Teu negro povo.

Nos anos que chegam

Seus músculos antes forjados no aço,

No trabalho escravo, chicote e tronco

Agora… Flácidos pelo cansaço,

Descansa.

Liberdade… Teu negro povo.

A cabeça coroada de branco,

Seus olhos sorriem…

Do sonho, mesmo que distante

Nas asas da liberdade.

Liberdade! Liberdade!

Tuas asas sobre nós

Abras…

Na vida ou na morte

Teu negro povo te clama.

Liberdade!… Abras as asas do sonhar!

Liberdade… O teu nome é Brasil!

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