Pierre Bonnard é um pintor francês que ganha destaque no fim do século 19 e que ficou marcado por suas telas que passam da transição do impressionismo para o modernismo. Foi casado com Marie Boursin, conhecida por Marthe, que inspirou algumas de suas telas e que serve de pano de fundo para o filme do diretor Martin Provost (A Boa Esposa).
Provost entrega a inquietude intelectual com a lasciva humana. Pierre e Marthe vivem uma paixão fulminante, onde ciúmes e desejos se confundem com as cores das telas de Bonnard. O diretor não acusa ninguém de cometer um “pecado” para mostrar que ele só serve como exemplo.
Vincent Macaigne (A Origem do Mundo), que interpreta Bonnard, não desponta na tela, o personagem é entregue no quadradinho, bem formatado, mas é ofuscado pela força de Marthe e pela interpretação de Cécile de France (O Garoto da Bicicleta).
Cécile de France é o que chama a atenção no filme inteiro. Marthe é o centro do filme, por isso mesmo a escolha do nome, A Musa de Bonnard, é tão assertiva e própria. Mesmo quando surge Renné (Stacy Martin, de Ninfomaníaca), com seu rosto angelical, Marthe mostra quem tem o poder de decisão e de dar a finitude para tudo.
São duas horas de filme que não cansam, que se apresenta de forma clara e que consegue fazer o espectador se interessar pela história dos ali retratados. O filme não é nenhuma obra prima, mas entrega o que promete e não decepciona em nada.
Provost assina o roteiro com Marc Abdelnour. Com distribuição da California Filmes, A Musa de Bonnard estreia dia 6 de junho nos cinemas brasileiros.
