Crônica | Lições do asfalto

Crônica | Lições do asfalto

Bom dia! Fria manhã. O sol timidamente surge no horizonte. Nuvens carregadas pronunciando o cair da chuva. Sentado à frente do computador, vou repassando ao longo do dia com quem dividimos mensagens, leituras, curtidas.

Procuro sempre nos momentos de reflexão, escrever mensagens que possibilitem o nosso aprender. Quem sabe apenas contemplar a experiência que a vida vem nos mostrar.

Essa crônica, na sua simplicidade, tem muito a nos ensinar.

Certa manhã, parado no ponto de ônibus, aguardando sua chegada, me deparo com uma cena inusitada, em se tratando da grande cidade de São Paulo. Falo de uma das avenidas mais movimentadas da grande capital, o segundo metro quadrado mais caro do Brasil.

Lá estava ele, de vara de bambu com um saco plástico amarrado na ponta. Apanhando, cutucando uma frondosa árvore que derramava seus galhos em plena calçada da Rua Afonso Braz, Vila Nova Conceição.

No princípio não me dei conta! Qual seria a espécie da imensa árvore? Nascida no jardim do prédio de luxo, pendia-se graciosamente acima das grades. Quando uma das frutas despenca e cai sobre o curioso asfalto.

Ao atingir seu híspido verdugo, esborracha-se, deixando à mostra o ventre amarelado com seu imenso caroço. Abacate!

A vara cutuca e mais abacates vão caindo no saco.

Vez ou outra, abacate no asfalto.

Assim, o catador de papel com sua carrocinha, acompanhado dos fiéis escudeiros, seus cachorros, se transforma em ator principal no teatro da vida da grande cidade.

Tomado por impulso quase sem sentir, me dirijo ao apanhador de abacates e pergunto:

– Você não vai apanhar os abacates que estão na rua? Vai deixar a rua suja?

Em sua simplicidade me responde:

– Os abacates caídos na rua servirão de alimento para as pombas e os passarinhos, que estão aguardando apenas eu terminar. O caroço eu levo para o Parque Ibirapuera e planto mais uma árvore.

O ônibus chegou. Mais uma simples lição que a vida do asfalto me ensinou.

“O homem humilde atravessou o lago caminhando. O homem arrogante afundou no primeiro passo. O humilde tem a alma leve e transparente, o arrogante, pesada e sombria”.

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