Todos os dias, pela manhã, caminho nas praias da minha cidade. Percorro entre 8 e 10 km, o que me faz muito bem. Nos dias da semana caminho nas escuras areias, que já foram brancas no passado, em companhia de atletas por um dia e de mendigos, com seus fiéis cães.
A praia, cartão postal da cidade, continua suja, malcuidada e sem uma fiscalização efetiva.
Mas aos domingos a história é outra. Vou caminhar somente após as 10 horas da manhã. Um verdadeiro festim para os olhos, porquanto, alguma crônica vou escrever.
As praias, guardando as devidas proporções, me fazem lembrar o Largo Treze de Maio, em Santo Amaro, São Paulo.
São centenas de barracas de clubes de praia, centenas de carrinhos de bebidas – drinks, como eles se denominam – pastel feito na hora, sorvetes, chá com suco de abacaxi, vendedores ambulantes de amendoim, queijadinhas, camarões fritos, empanados com areia, no espetinho, etc.
Entre o calçadão e o mar, disputam palmo a palmo um pequeno pedaço de areia as redes de vôlei das barracas dos clubes, cadeiras de plástico e guarda-sóis dos carrinhos de comidas e bebidas e jogadores de frescobol e tamboréu. Entram ainda na disputa, alguns pais tentando ensinar os filhos a jogar bola, mulheres de todas as idades tomando sol com as pernas entreabertas, voltadas para a direção do Astro Rei e muitas pombas saudando o Sol.
O mais bizarro de tudo isso, prato cheio para escritores, são os nomes das barracas dos clubes de praia, que vendem desde churrasquinhos, coxinhas, empadinhas e mistinhos até caipirinhas e cervejas. São nomes tão singelos como Jardim Europa, Jardim do Éden, Acarai Clube, Ki-Fra, Sindicato Nacional dos Aposentados do Brasil, Clube do Xadrez, Clube das Coxas, Cemitério Paz Eterna, Clube dos Reservistas que Nunca Foram Chamados e mais uma centena deles.
Fico pensando: se um dia a fiscalização da Secretaria da Saúde desse uma blitz para valer em todas as barracas, carrinhos, vendedores ambulantes, etc., nenhum ficaria para contar a história. Mas por que não ficariam?
Simples! Duvido que debaixo das unhas das mãos mal-lavadas dos preparadores das guloseimas servidas na praia, não encontrem um mar de bichinhos denominados coliformes fecais, vulgarmente conhecidos por merda, cocô. Não acredito que esse pessoal, após limpar a bunda e mijar, lave e desinfete as mãos corretamente; principalmente debaixo das unhas.
Mas, enfim, as autoridades brasileiras chegaram à seguinte conclusão: “É apenas merda, o brasileiro já desenvolveu os anticorpos necessários”.
E as pombas! São dezenas espalhadas pela areia, ciscando, tomando sol, tentando sobreviver.
Entretanto, não foi isso que me motivou a escrever, mas, sim, a instigante questão: por que as mulheres tomam sol com as pernas entreabertas? Isso sempre me intrigou…
A quantidade de pombas espalhadas pela areia é impressionante. Tem pomba para todos os gostos… Pombas filhotes, pombas jovens, pombas de meia-idade, pombas velhas…
Ou serão “galinhas pretas de macumba”?
Será que o Sol consegue esquentar as pombas?
São pombas solteiras, casadas, magras, gordas, rasas, estufadas, ofendidas, elogiadas e até pombas sem asa. Mas tudo é pomba.
Aí eu pergunto: por que a pomba toma sol?
Há pombas de todas as cores: brancas, pretas, amarelas, malhadas, marrons… Eu vi até uma rosa! Ou teria sido ilusão de ótica?
Será que a pomba esquentada tem o intuito de participar de algum circuito? Ou será que apenas estão se esquentando para afastar o mofo, devido à falta de uso, desacostumadas que estão de voarem distâncias maiores?
Mas, novamente, me desviei do pretexto ao escrever o presente texto…
Por que as mulheres tomam sol com as pernas entreabertas?
Nunca vou saber…
