Emergência Radioativa estreia em março na Netflix

Emergência Radioativa estreia em março na Netflix

A Netflix anunciou para 18 de março a estreia de Emergência Radioativa, série nacional que relembra o caso da contaminação por Césio 137 ocorrido em Goiânia em 1987.

A série vai acompanhar o desenrolar do caso a partir de diversos pontos de vista, mostrando como a princípio não havia uma compreensão real da gravidade da contaminação.

Relembre o caso

Tudo começou com o erro no descarte de um aparelho de radioterapia abandonado onde funcionava o Instituto Goiano de Radioterapia. Por conter chumbo, material com certo valor no mercado de reciclagem, a unidade foi vendida para um depósito de ferro-velho.

Além de chumbo, entretanto, o aparelho continha uma fonte com cloreto de césio, componente com uma meia-vida física de cerca de 33 anos. No ferro-velho, o equipamento de radioterapia foi violado, o que espalhou fragmentos de césio 137 pelo local. O pó azul brilhante chamou a atenção, sendo distribuído a amigos e parentes como algo bonito e curioso.

As pessoas que tiveram contato com o material radioativo passaram apresentar sintomas como náuseas, tonturas e lesões na pele até que a esposa do dono do depósito desconfiou que o material poderia ter sido o causador dos problemas e levou a peça até a Divisão de Vigilância Sanitária da Secretaria Estadual da Saúde. Entre a abertura da fonte no dia 13 de setembro e a identificação do material como radioativo, no entanto, se passaram 16 dias. Só então foi acionado o plano de emergência que identificou os focos e as pessoas atingidas pela contaminação.

Ao todo foram identificados sete focos de contaminação. Mais de 112 mil pessoas foram monitoradas, sendo que 249 apresentaram contaminação interna e externa. Quatro pessoas morreram, a menina Leide das Neves Ferreira, de apenas 6 anos, Maria Gabriela Ferreira, Israel Batista dos Santos e Admilson Alves de Souza. Além disso, oito pessoas desenvolveram Síndrome Aguda da Radiação, 14 apresentaram falência de medula óssea e uma sofreu amputação de antebraço, 28 desenvolveram Síndrome Cutânea da Radiação.

Preconceito

O número de vítimas, entretanto, é bem maior. Segundo a AVCésio – Associação das Vítimas do Césio-137, centenas de pessoas foram afetadas nos anos seguintes com problemas físicos e psicológicos. Em entrevista à BBC em 2011, o presidente da entidade, Odesson Alves Ferreira, falou sobre doenças como osteoporose em pessoas de 20 anos, mas também de preconceito, como os passageiros de um ônibus desembarcarem quando sua esposa embarcou e até das vítimas terem suas casas apedrejadas.

O caso, que envolveu apenas 19 gramas de cloreto de césio 137, gerou 13.500 toneladas de lixo radioativo que estão estocados na cidade de Abadia de Goiás sob controle da CNEN – Comissão Nacional de Energia Nuclear e é considerado o maior acidente radioativo fora de uma usina nuclear no mundo devido ao número de vítimas.

A série

Produzida pela Gullane, Emergência Radioativa volta ao momento em que o aparelho de radioterapia é aberto no ferro-velho e a corrida que surge para identificar e salvar as vítimas da contaminação.

O elenco da série tem Johnny Massaro, Paulo Gorgulho, Tuca Andrada, Bukassa Kabengele, Ana Costa, Alan Rocha, Marina Merlino, William Costa, Antonio Saboia, Luiz Bertazzo, Clarissa Kiste e Douglas Simon, além de participações especiais de Leandra Leal e Emílio de Mello.

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