
Fãs de maratonas de séries na Netflix devem estar preparados para perturbações na Força no dia 21 de março, às 8 da manhã, quando o BTS faz seu show de retorno com transmissão direta de Seul para o mundo. Esta será a primeira vez que a plataforma vai transmitir uma apresentação ao vivo direto da Coreia. Não será surpresa se a internet apresentar lentidão ou se a Netflix der uma balançada.
O show BTS The Comeback Live: Arirang, referência a uma canção tradicional coreana, vai acontecer na Praça Guanghwamun, em Seul, com direção de Hamish Hamilton. O diretor britânico tem em seu currículo o show de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres em 2012 e o show de intervalo do Super Bowl além da cerimônia de entrega do Oscar e do MTV Awards. A grandiosidade do evento se explica por ser o primeiro concerto do grupo após mais de três anos, período em que os sete membros do BTS se dedicaram a atividades solo e ao serviço militar obrigatório.
Além do título, a escolha do local do show mostra que o BTS voltou-se para suas raízes, deixando para trás momentos em que o grupo gravou músicas totalmente em inglês.
A importância do local
Longe de ser apenas uma escolha logística, fazer o show na Praça Guanghwamun tem importância capital para o BTS em sua declaração de ser, acima de tudo, um grupo coreano.
Gwanghwamun é o portão principal do palácio Gyeongbok e um monumento histórico. Construído originalmente em 1395, o portal foi destruído e reconstruído várias vezes, vítima das guerras, da ocupação japonesa e das perturbações internas da história coreana, chegando a ter sua estrutura alterada e reconstruída com concreto. Um grande projeto de restauração iniciado em 2006, levou o portão de volta ao seu lugar original e lhe devolveu a estrutura em madeira em 2010.
Para o público dos seriados coreanos como O Rei Eterno, a praça é familiar graças às estátuas do Rei Sejong, criador do alfabeto coreano, e do almirante Yi Sun-sin, criador do lendário barco tartaruga, que já foi tema de especial no History Channel.
Ao longo da história, o Gwanghwamun passou de local reservado à realeza para um espaço cívico onde o povo coreano realizou importantes manifestações pela democracia e contra a corrupção e também onde as pessoas se reuniram para torcer pela Coreia em jogos de futebol. Fazer seu show de retorno nesse espaço coloca o BTS como parte da história e da identidade coreana.
A HYBE, empresa responsável pelo BTS, recebeu autorização da Korea Heritage Agency para incorporar elementos do palácio Gyeongbok e outros edifícios históricos no palco do show, que deve começar no interior do Palácio e passar pelos portões Geunjeongmun, Heungnyemun, Gwanghwamun e pela plataforma cerimonial recentemente restaurada. O caminho segue o “woldae”, estrada exclusiva dos monarcas da Dinastia Joseon (1392- 1910), sinal da importância do grupo para a divulgação da cultura coreana.
Além do show, o lançamento do álbum Arirang vai ser acompanhado por projeções em outros locais conhecidos de Seul, mesclando a arquitetura tradicional com as canções, unindo passado e presente.
Lotação
Além dos 15 mil assentos na praça e dois mil lugares em pé, a prefeitura de Seul pretende instalar telas gigantes em vários pontos da cidade. A polícia local espera uma multidão de cerca de 260 mil pessoas na região em torno da praça e já proibiu acampamentos e tendas, lembrando que Seul vive com a memória do Destastre de Itaewon, quando milhares de pessoas se espremeram numa rua estreita. Nada parecido pode acontecer no evento que é mais do que um show de Kpop, é uma enorme ação para divulgar a Coreia. Hotéis na região estão com lotação esgotada desde fevereiro.
Netflix
A Netflix vai transmitir o show de retorno do BTS para mais de 190 países simultaneamente para um público avaliado em 100 milhões de pessoas.
Não há informações quanto ao custo da operação, mas os rumores são de valores na casa dos milhões de dólares numa operação que, se ocorrer sem quedas nos servidores ou travamentos, vai dar à plataforma uma posição que nenhuma ação de marketing seria capaz de fornecer.
Após o show, no dia 27 de março, a Netflix exibe ainda o documentário O Reencontro.

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