
A Netflix anunciou a estreia do documentário BTS: O Reencontro para o dia 27 de março. A produção acompanha o grupo de Kpop em seu trabalho de retorno após o serviço militar obrigatório e faz parte do pacote que inclui a transmissão ao vivo do show do grupo direto de Seul no dia 21 de março.
Origem humilde
O BTS estreou em 2013 como um grupo criado por uma pequena agência de talentos, a Big Hit Entertainment. O mercado de Kpop era então dominado pelas “três grandes”, SM Entertainment (EXO, Red Velvet), JYP Entertainment (2PM, Twice) e YG Entertainment (Big Bang, Psy). A origem levou os rapazes muitas vezes a ouvirem que não seriam um sucesso pois a empresa não tinha peso para conquistar espaço nos programas de TV. O período de descrença aparece na letra de Sea, música do álbum Love Yourself: Her.
Antes da estreia, no entanto, o grupo já havia começado a conquistar espaço na internet. No inverno de 2012, um vídeo estreou no canal BangtanTV com o título Vote, Or Just Shut up. Nele, RapMonster, rapper formado no ambiente underground que hoje atende pelo nome RM, já explorava temas sociopolíticos terminando com “o voto é seu, mas o futuro é nosso”, numa amostra do que seriam suas letras nos anos seguintes.
O vídeo era também uma conexão direta com as origens do Kpop, que confrontou as normas sociais dos anos 1990 antes que as empresas assumissem o controle e passassem a criar grupos de forma massificada.
Arte narrativa
Ainda incompreendido por boa parte do ocidente, o sucesso do BTS estourou a bolha do Kpop há muito tempo. A música narrativa, explorando camadas de significado, conexões com livros como Damian, de Herman Hesse, ou com as ideias de Carl Jung, o uso de elementos tradicionais da música coreana e a união dos talentos individuais do grupo gerou um crescimento orgânico que só se desviou nos últimos lançamentos antes do serviço militar, quando surgiram canções destinadas ao mercado americano. Os próprios integrantes comentaram estar perdidos.
O retorno, no entanto, parece ter realinhado o BTS, como mostra a escolha do nome Arirang, uma canção tradicional e simbólica, para o novo álbum e Praça Guanghwamun, monumento histórico e local de manifestações pela democracia, para o local do show de retorno.
Assim, é natural o comentário no trailer de que o grupo busca “autenticidade” enquanto também procura se manter relevante.
