Crítica | Filme | Cinco Tipos de Medo

Crítica | Filme | Cinco Tipos de Medo

Uma maneira possível de explicar Cinco Tipos de Medo (e talvez uma viagem minha) é que se trata de um filme que tenta fazer pelo Mato Grosso o que Cidade de Deus fez pelo Rio, mas com uma pegada de thriller de destinos cruzados. Aqui, o que ferve é o asfalto de Cuiabá.

Não se iludam com esse elenco cheio de nomes das redes sociais. O filme é o que é: uma tentativa honesta do diretor e roteirista Bruno Bini em mostrar que o “noir” brasileiro não precisa de sotaque sudestino para funcionar. É tudo o que se espera de um drama policial urbano: perseguições, dilemas morais e aquele sentimento de que a tragédia está dobrando a esquina a qualquer momento.

A base de operação aqui é a vida da enfermeira Marlene (Bella Campos) e o triângulo de tensões que se forma com o traficante Sapinho (Xamã) e o jovem Murilo (João Vitor Silva). O diretor faz questão de passar o máximo de verdade naquelas ruas abafadas. Se é possível dizer isso de uma arte que muitas vezes higieniza a periferia, Bini prefere a poeira e o suor.

É possível ver que Bini amarraram bem as cinco pontas dessa história. O ponto aqui não é necessariamente a originalidade do plot – convenhamos, histórias cruzadas já são arroz de festa no cinema faz tempo – mas como se conta isso com um tempero local. O roteiro dá algumas escorregadas em diálogos um pouco explicativos demais, daquelas que o personagem fala o óbvio, mas tudo o que surge ao redor da ambientação compensa.

Funciona bem. Não é memorável, mas merece uma olhada. Estreia em 9/4 distribuído pela Downtown.

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