Crítica | Série | Os Casos de Harry Hole

Crítica | Série | Os Casos de Harry Hole

Parece que ocorreram algumas tentativas frustradas de levar o universo de Jo Nesbø para as telas (como Boneco de Neve, de 2017), mas finalmente temos uma produção que entende que o segredo de uma boa história não está apenas no crime, mas no homem que o investiga. Os Casos de Harry Hole, nova aposta da Netflix dirigida por Øystein Karlsen (conhecido pela série Exit), é um mergulho sombrio na mente de um dos detetives mais complexos da literatura norueguesa. Esqueça as adaptações apressadas do passado; aqui, o tempo é um aliado da tensão.

No papel principal, Tobias Santelmann (de The Last Kingdom e Kon-Tiki) entrega a atuação necessária ao personagem protagonista. Ele interpreta Hole com o peso de quem carrega cada erro do passado no rosto. Quando o conhecemos nesta adaptação de A Estrela do Diabo, Harry está no fundo do poço, lutando contra o alcoolismo enquanto tenta caçar um assassino em série que deixa uma estrela de cinco pontas como marca. O elenco ainda conta com Joel Kinnaman (Altered Carbon), que traz um contraponto interessante à desordem de Harry.

Visualmente, a série é um deleite para os órfãos do Nordic Noir. A fotografia de Oslo é pálida e sufocante, refletindo perfeitamente o estado de espírito do protagonista. O roteiro, que conta com a supervisão direta do próprio Jo Nesbø, mantém as reviravoltas clássicas do autor, mas dá espaço para que os personagens secundários respirem e ganhem profundidade. É cinema de gênero feito com rigor técnico e respeito ao material original.

No fim das contas, Os Casos de Harry Hole é uma experiência crua. Para alguns, em muitos momentos, pode ser difícil de assistir pela carga de violência. Ou pelo ritmo lento. No entanto, para quem busca um suspense que não trata o espectador como iniciante, o clique no streaming é obrigatório. É uma história sobre vícios, corrupção policial e a busca por uma justiça que quase nunca deixa ninguém ileso.

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