Crítica | Série | Memória de um Assassino

Crítica | Série | Memória de um Assassino

Se você ouviu falar do mote de Memória de um Assassino (Memory of a Killer), série da HBO estrelada por Patrick Dempsey, pode ter associado o título ao plot de pelo menos um filme. Trata-se de Assassino Sem Rastro (Memory), estrelado por Liam Neeson.

A associação é justíssima. Ambos tomam como base o filme belga De Zaak Alzheimer (2003), dirigido por Erik Van Looy, que por sua vez buscou inspiração no romance homônimo de 1985 escrito pelo autor Jef Geeraerts.

A produção, assinada pela Fox, foi criada por Ed Whitmore e Tracey Malone e estreou em 25/1 no streaming, tendo exibido seu último episódio no último dia de abril. No papel central está Patrick Dempsey, muito popular graças a longevidade de Grey’s Anatomy (luto muito para não usar A Anatomia de Grey). O McDreamy continua envelhecendo bem, desta vez na pele do assassino profissional Angelo Doyle, que atua a serviço de Dutch (Michael Imperioli, de Família Soprano). Ao contrário do ator, seu personagem não está envelhecendo tão bem assim e começa a apresentar os estágios iniciais de alguma doença neurológica degenerativa, como episódios de ausência e perda de memória.

Essa é apenas parte do combustível para a trama central em 10 episódios, que é reforçada pela viuvez de Angelo, a gravidez de sua filha única e um serviço feito no passado que parece ter deixado pontas soltas.

Alternando momentos de boa ação com drama, Memória de um Assassino consegue alimentar a curiosidade do espectador sem usar muitos clichês ou a pieguice clássica para o assunto. Além de lutar pela sua vida e a de sua família, Angelo precisa sustentar uma vida dupla repleta de segredos. Às vezes, com segredos dentro dos segredos.

Mas este privilégio não é só dele. Muitos personagens que o cercam também arrastam seus fantasmas e isso vamos descobrindo aos poucos, de maneira palatável, sem reviravoltas mirabolantes ou truques na manga.

A coisa funciona tão satisfatoriamente que a série já teve sua segunda temporada confirmada ainda em abril. Pudera, o roteiro transpos uma trama já conhecida para o contexto americano sem sacrificar o tom sombrio e o peso psicológico da obra original. Vale a tentativa de gostar, nem que seja para conferir o McDreamy…

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