Crítica | Filme | O Drama

Crítica 2 | Filme | O Drama

Faltando apenas uma semana para o seu casamento, Charlie e Emma estão em um jantar de degustação com o casal de amigos Rachel e Mike. E quando adultos se juntam e bebem, geralmente alguém acaba falando demais.

Isso acontece com Emma (Zendaya, de Duna) no novo filme da produtora A24 O Drama (The Drama), dirigido e roteirizado por Kristoffer Borgli. Ela acaba revelando algo que havia pensado em fazer quando era adolescente. E esse pensamento não concretizado já é o suficiente para fazer todos repensarem se, de fato, a conhecem. Inclusive quem está sentado nas cadeiras do cinema, assistindo.

Charlie (Robert Pattinson, The Batman) fica atordoado com a revelação e passa a questionar não só se a conhece, como também se deve ou não se casar com ela. Questionamento esse que se estende ao telespectador. O sentimento é de ruptura entre quem o filme começa mostrando que Emma é quem ela se torna após.

Aqui, o roteiro nos entrega uma construção gradual de todo o tormento mental em que o casal entra. Emma, por sua vez, obcecada em atestar que sua revelação teve impacto sobre o relacionamento e Charlie em mostrar o contrário e se certificar de que não há mais surpresas a serem descobertas.

A trilha sonora de Daniel Pemberton nos ampara com maestria para dentro da vida e do desconforto agora existente entre o casal. Junto com todo o restante da produção, acabamos por entrar na pele de Emma e Charlie de uma maneira intensa. Você pode ter certeza que nas cenas seguintes, o encosto das cadeiras do cinema não são mais uma opção.

O grande conflito do longa é: se você namora há três anos uma pessoa e, em uma noite, faltando dias para o casamento, descobre algo terrível que ela quase fez, o que você faria? Ou melhor, como você a veria? Charlie se nega a ver que, apesar da recém descoberta, Emma ainda é a mesma menina doce, gentil, empática e engraçada que ele conheceu e decidiu se casar. Mas, isso dificilmente convence a ele mesmo, Mike, Rachel e a nós. Fica sempre aquela sensação perturbadora de que ela é, mas não é mais a mesma.

Ao mesmo tempo, há um conflito interno tanto em Charlie quanto em nós: ele quer perdoá-la para que tudo volte ao normal, mas será que ele deve? Será que o que ela fez tem perdão? Todo o cinema parece concordar que sim, mas o desconforto independe da decisão. Contudo, é um princípio que, com a mesma medida que você julga, também será julgado e, infelizmente ou não, esse é o destino de Charlie.

Ele passa do ponto e acaba gerando em Emma o mesmo conflito que havia nele. O filme, à essa altura, funciona visualmente como um espelho onde as cores, os figurinos e os ambientes em que os personagens principais aparecem são muito semelhantes, passando a ideia de uma projeção de um sobre o outro.

Agora, é Emma quem precisa decidir. E surpreendentemente, o filme os coloca frente à frente no mesmo lugar em que eles deveriam celebrar só que, dessa vez, para decidir se os seus futuros ainda serão entrelaçados ou não.

Esse é aquele tipo de filme em que não há um final decidido que seja feliz ou mesmo que satisfaça a todo mundo, mas que com toda certeza vai te transportar para a história com uma maestria e leveza que são características do roteiro e direção de Borgli.

Estreou em 9/4 distribuído pela Diamond.

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