Crítica | Série | Homem em Chamas

Crítica | Série | Homem em Chamas

A Netflix estreou em 30/4 a série Homem em Chamas (Man on Fire), pasmem, uma terceira adaptação do livro Man on Fire, de A.J. Quinnell (mais conhecido como Philip Nicholson), lançada em 1980 e compondo uma sequência de livros protagonizados pelo personagem John Creasy.

As versões anteriores eram longas-metragens, uma estrelado por por Scott Glenn em 1987 e outro por Denzel Washington em 2004. Esta última talvez tenha sido mais marcante, pois foi dirigida por Tony Scott (Top Gun), tinha um elenco mais pesado (até com o brasileiro Gero Camilo) e gerou mais burburinho.

O “pasmem” é porque não vejo razão para recontar uma história em tão pouco tempo. Mas não há show como o show business…

Em comum, um John Creasy meio decadente e desacreditado, que busca a redenção. Pois depois de uma operação militar fracassada, em meio aos sintomas de Transtorno de Estresse Pós-Traumático, Creasy (Yahya Abdul-Mateen II, de Aquaman), ele aceita o convite de um amigo (Bobby Cannavale, de Scarpeta) para trabalharem juntos em um serviço fácil de segurança no Brasil.

Claro que sua estada na Cidade Maravilhosa se complica após um ataque terrorista. Ainda que com apoio do governo brasileiro para investigar o ocorrido, Creasy deve superar seus traumas e uma trama intrincada, que o coloca no centro das atenções. Com ajuda de uma motorista local (Alice Braga, de Rainha do Sul) ele consegue agir da jeito que prefere: sozinho e da maneira mais letal possível contra os responsáveis.

Pequenos detalhes na série de sete episódios a aproximam, por exemplo, do filme de Denzel. Pequenos detalhes em cena, uma peça de roupa aqui, o grito agudo Billie Boullet (rivalizando com o de Dakota Fanning)… Tudo muito sutil, para deixar quem conhecia o personagem no conforto e, ao mesmo tempo, não bolar aquele que nunca ouviu falar dele.

Um destaque seria o trabalho de Yahya Abdul-Mateen II, nada muito profundo, mas que consegue manter Creasy em sua introspecção sombria, a de um homem quebrado que, quando acionado apropriadamente, fica em chamas. E queima tudo ao seu redor.

Mas o ritmo da série se arrasta um pouco para render sete episódios, ainda que ofereça ação e tensão em doses generosas. Incomoda um pouco, mais uma vez, retratarem o Brasil como terra de ninguém, com presença de uma falange terrorista, corrupção no alto escalão do governo (nem tudo é falso…) e paisagens nada a ver com o Rio de Janeiro.

Em compensação, temos a presença maciça de atores brasileros falando em inglês e mostrando o que é que a baiana tem sem retoques. O cineasta Vicente Amorim (Senna) dirige dois episódios e Homem em Chamas termina com grandes chances de voltar para uma segunda temporada.

Deixe uma resposta