A cada anúncio da Disney de uma versão live action para uma de suas animações, a primeira reação é por quê? Não há um motivo lógico além do anseio do estúdio de gerar renda a partir de um produto já conhecido que já tem seus fãs que, no mínimo, vão assistir por curiosidade.
Assim, nenhuma surpresa na decisão de filmar Moana depois de A Pequena Sereia (2023), Mulan (2020) e Aladin (2019), para ficarmos apenas na linha das princesas. Embora, a própria Moana, em uma cena do novo filme garanta que não é parte de nenhuma realeza.
Para quem viu a animação, o roteiro de Jared Bush mantém o que ele fez no original. Numa história de crescimento pessoal, Moana (Catherine Laga’aia) é parte de uma comunidade que vive isolada numa ilha do Pacífico. Filha do chefe Tui (John Tui), ela será a próxima a liderar seu povo que há gerações estabeleceu que ir além dos recifes que cercam a ilha é perigoso. O que não impede Moana de desejar ir além, no que é apoiada pela avó (Rena Owen), que revela à neta que no passado os moradores da ilha eram corajosos navegadores.
A discussão entre ficar ou ir além, aceitar ou romper com a tradição poderia ficar em família se não fosse uma crise. A ilha que oferece sustento ao povo de Moana está morrendo. Para salvá-la, e também às demais ilhas, a garota tem de encontrar o semideus Maui (Dwayne Johnson) e fazê-lo devolver o coração da deusa Te Fiti.
E assim, devidamente acompanhada do frango, Moana parte para encontrar o semideus mais cheio de si do planeta que tem seu próprio plano, recuperar o anzol que lhe dá poderes e que se encontra nas garras de Tamatoa, uma versão caranguejo de um dragão que gosta de acumular coisas brilhantes.
O trabalho não exige muito de Dwayne Johnson, que já deu voz a Maui na animação. Mas, ele interage com naturalidade, embora não com brilho, com a novata Catherine Laga’aia, que se sai bem como a princesa que não tem um príncipe nem como interesse romântico, nem como protetor ou mesmo guia e que nem de longe trata o semideus como um ídolo. Fruto de uma nova era, afinal, a animação tem apenas dez anos, Moana é dona de um objetivo próprio que não inclui cantar fazendo faxina. Os atores, por sua vez, estão em constante contato com elementos em computação gráfica, a maioria muito bem-sucedida, como os piratas, o frango ReiRei e Te Ka, o monstro de fogo. Já a saída de Moana da ilha grita tela verde mesmo para olhos pouco treinados. Quanto à parte musical, elemento tão importante nas animações da Disney, ela traz as canções originais como a simpática You’re Welcome, e alguma novidade de Lin-Manuel Miranda, que apesar de tudo o que mostrou como compositor de Hamilton, parece ter ficado preso numa única melodia desde então.
O resultado é um filme que não foge do material que o inspirou, não desafia qualquer convenção, mas é simpático, familiar, família e confortável. Vai combinar com todo mundo junto no sofá debaixo de uma coberta. E parece ter sido esse mesmo o objetivo de todo o esforço de fazer com atores – e muito CGI – o que a animação já tinha feito.
