Um dos nomes fortes do cinema europeu contemporâneo, Christian Petzold retorna às telas brasileiras no dia 20 de agosto com Mirrors No.3, distribuído pela Imovision. O longa tenta reafirmar a capacidade única do cineasta de entrelaçar a crueza da realidade a uma atmosfera de mistério e fascínio estético.
A narrativa acompanha Laura (Paula Beer), uma jovem pianista que sobrevive a um grave acidente de carro no qual seu namorado perde a vida. Em choque e sem rumo diante do trauma, ela é acolhida por Betty (Barbara Auer), uma mulher enigmática que testemunhou a tragédia e decide levá-la para sua casa. Aos poucos, naquele refúgio isolado, Laura encontra uma inesperada sensação de pertencimento. No entanto, a convivência familiar revela um equilíbrio frágil entre afeto, ausência e culpa, fazendo emergir feridas do passado e segredos que transformam o acolhimento em um sufocante labirinto psicológico.
A gênese de Mirrors No.3 são conversas do diretor sobre as obras dos escritores Heinrich Heine e Heinrich von Kleist, que inspiraram a construção de uma trama centrada na perda e na busca por recomeços. O título do filme faz referência direta à peça piano Miroirs No.3, de Maurice Ravel, executada para a trilha pela pianista berlinense Adriana von Franqué. A música atua como força motriz do longa, guiando o ritmo de uma narrativa altamente sensorial que se apoia em silêncios, olhares e gestos minúsculos para construir sua tensão dramática.
Drama intimista e profundo que consolida Christian Petzold entre os grandes autores do cinema autoral. Mirrors No.3 trata-se de uma experiência cinematográfica de grande beleza estética.
