Ponto Sem Retorno

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Uma história pós-apocalíptica com esperança. Essa é a descrição do livro Na Companhia das Estrelas, de Peter Heller, que chega numa adaptação para  as telas como Ponto Sem Retorno, com direção de Ridley Scott e Jacob Elordi, Josh Brolin, Guy Pearce e Margaret Qualley como protagonistas.

A história cai direto no nosso interesse constante pela ideia de que o mundo está para acabar e, acima de tudo, de que a nossa geração é especial porque vai testemunhar, ou está testemunhando, o fim dos tempos. Infelizmente, ou felizmente, não somos tão especiais assim. Desde a antiguidade, não faltaram culturas certas de ocuparem esse posto especial e o mesmo anseio por estar presente no Fim. E nem ideias diferentes de como isso vai acontecer.

Ponto Sem Retorno entra na categoria de medo mais recente, uma pandemia que rapidamente extermina grande parte da população, deixando os poucos sobreviventes lutando pelos espólios. Hig (Elordi) é um dos que sobraram, um ex-mecânico que mora num pequeno aeroporto abandonado com seu cachorro Jasper e seu vizinho ex-fuzileiro naval, Bangley (Brolin). O filme não revela há quanto tempo o mundo “acabou” – no livro são apenas nove anos – mas ainda é possível encontrar gasolina, remédios e luxos consumistas como refrigerantes. Melancólico, Hig usa um velho avião para viagens em busca de suprimentos e na esperança de encontrar outros sobreviventes que como ele não tenham se transformado nos saqueadores que aparecem de tempos em tempos. Em contraponto, Bangley é pragmático, ranzinza e sempre em modo de defesa. Em sua visão, o mundo mudou e esse novo cenário exige mira boa e armas carregadas, e é isso.

Elordi assume com facilidade a solidão e o anseio de Hig por algo além dessa realidade de apenas seguir vivo, bem como a dolorosa saudade da vida de antes, que o leva a se agarrar a qualquer fiapo da civilização que se foi. Já Brolin absolutamente brilha em cada cena em que aparece como o sobrevencialista que mesmo antes do desastre já via o mundo como uma disputa entre ele e os outros sete bilhões de habitantes do planeta. Construído com uma bela fotografia que reforça os grandes espaços vazios, Na Companhia das Estrelas na verdade não se afasta muito de outros filmes sobre o pós-apocalipse. Temos os sobreviventes “do bem”, os ataques de bandos selvagens que em tudo se assemelham a cenas dos antigos westerns, incluindo gritos e cavalos, e o encontro com grupos que criaram sua própria subcultura, uma delas liderada por uma Allison Janney que parece ter sido transferida de alguma ficção científica da década de 1970. Não falta nem o sinal de romance entre Hig e Cima (Margaret Qualley), nascido da afinidade de quem passou por perdas semelhantes.

A descrição do livro, contudo, se reforça no filme, é uma história de fim de mundo com esperança, contada num ritmo lento e meditativo que não se espera no gênero que com mais frequência aposta mais na ação. E que, mesmo com muitos tiros e mortes – as cenas com câmeras de visão noturna são particularmente interessantes e bem coreografadas – não resvala para a carnificina. Não vá esperando um grande vilão querendo tomar os recursos dos sobreviventes, porque essa figura não existe aqui, aceite que mesmo após o fim dos tempos algumas pessoas serão um tanto bobas como Hig, divirta-se com Bangley e vai ficar tudo bem.

Ponto Sem Retorno estreia dia 27/8.

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