Crítica | Filme | O Sorveteiro

Crítica | Filme | O Sorveteiro

Trash sem limites aposta no gore, no humor ácido e no absurdo para entregar um terror que não leva a própria proposta a sério

O Sorveteiro é uma produção que abraça o terror trash sem qualquer preocupação em suavizar suas escolhas. Dirigido e roteirizado por Eli Roth em parceria com Noah Belson, o filme mistura horror corporal, slasher, violência gráfica e comédia sombria em uma história que aposta no exagero como principal ferramenta de entretenimento.

A trama acompanha uma pequena cidade que entra em colapso depois da chegada de um misterioso sorveteiro (Ari Millen). O vendedor conquista as crianças com seus produtos, mas os doces escondem consequências macabras. Aos poucos, os moradores percebem que existe algo muito mais sinistro por trás do sorvete, enquanto as crianças passam a representar uma ameaça para os adultos.

Apesar das semelhanças conceituais com a produção de 1995 estrelada por Clint Howard, O Sorveteiro não funciona como um remake. O próprio IMDb registra o longa como uma história independente, sem relação de remake ou expansão com o filme anterior.

A produção não economiza nas mortes, mutilações, sangue e situações absurdas. O resultado se aproxima do espírito do cinema B e utiliza o exagero para construir uma experiência propositalmente grotesca. Para quem procura um terror convencional, a proposta pode causar estranhamento; para quem gosta de produções trash, contudo, existe bastante material para aproveitar.

O filme também brinca com referências reconhecíveis do gênero. Elementos associados a Colheita Maldita, Terrifier, A Hora do Pesadelo e A Coisa aparecem como influências dentro dessa mistura de terror e comédia.

Ari Millen constrói um sorveteiro de presença marcante. O personagem funciona especialmente pela caracterização e pelo comportamento ameaçador, aproximando-se da tradição dos vilões silenciosos do cinema slasher. Eli Roth também participa do elenco, interpretando Marty.

Visualmente, O Sorveteiro aposta em diferentes recursos para reforçar o caráter exagerado da história. A fotografia de Simon Shohet trabalha com cores e enquadramentos que ajudam a destacar o contraste entre a aparência ensolarada da cidade e a violência que toma conta do ambiente. O filme também utiliza efeitos de maquiagem e próteses para construir suas imagens mais grotescas.

A direção de arte e os efeitos práticos contribuem para a identidade do longa, principalmente nas sequências de violência. O resultado dialoga com a tradição do cinema de horror de baixo orçamento e com a estética de produções que transformam o excesso de sangue em parte do espetáculo.

Outro detalhe curioso está na música. Snoop Dogg participa da trilha musical do filme, acrescentando mais uma camada à mistura pouco convencional de referências criada por Roth.

Eli Roth, conhecido por explorar o horror gráfico em trabalhos anteriores, assume novamente as funções de diretor, roteirista e produtor. Ao lado de Noah Belson, ele constrói uma história que prefere o absurdo à contenção e transforma o conceito do sorveteiro em uma oportunidade para explorar diferentes vertentes do terror.

O Sorveteiro não pretende reinventar o gênero. A proposta está justamente em exagerar seus elementos mais grotescos e transformar violência, sangue e humor absurdo em uma grande brincadeira cinematográfica.

Para quem procura um terror trash disposto a ultrapassar os limites do bom senso e da moralidade, o filme entrega uma experiência assumidamente exagerada. Em suma, é uma produção para assistir sem grandes expectativas e entrar na galhofa proposta por Eli Roth.

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