Crítica | Filme | Não Deseje Boa Sorte

Crítica | Filme | Não Deseje Boa Sorte

Um filme sobre encontrar refúgio no palco enquanto a vida real desmorona nos faz lembrar o quanto a arte pode nos salvar nos dias mais difíceis. Não Deseje Boa Sorte (Don’t Say Good Luck) é o tipo de comédia dramática que dá vontade de abraçar forte quem a gente ama. Com a assinatura inconfundível da Happy Madison Productions, produtora de Adam Sandler que vem mostrando uma sensibilidade cada vez maior em suas produções recentes, o longa chega à Netflix dirigido por Julia Hart (Stargirl).

A trama aposta com orgulho nos elementos clássicos de amadurecimento e de ambiente escolar: o sonho do papel principal no musical do colégio, as inseguranças adolescentes, os ensaios caóticos e o choque de lidar com uma notícia devastadora em casa. Tudo flui de forma sincera, sem pesar a mão no dramalhão e sem perder a leveza. Grande parte desse mérito está na química e no carisma do elenco. Sunny Sandler (Sophie) entrega uma atuação comovente e cheia de frescor, mostrando talento de sobra para carregar o protagonismo e o lado musical da personagem.

A dinâmica com Melanie Lynskey (Elizabeth), que interpreta sua mãe, é o verdadeiro coração do filme, equilibrando afeto, medo e cumplicidade com muita naturalidade. O elenco de apoio ainda ganha pontos extras com a presença divertida e acolhedora de Max Greenfield, Bebe Neuwirth e Steve Buscemi. A forma como o roteiro conecta os ensaios do musical com o processo pessoal de Sophie é outro grande acerto. Inspirada em vivências reais da corroteirista Laura Hankin, a narrativa costura a rotina dos palcos com a dura rotina do tratamento familiar sem deixar o ritmo arrastado ou confuso. Pelo contrário, cada cena de teatro serve como um respiro emocional que aproxima o público dos sentimentos da protagonista.

A trilha sonora merece destaque à parte. Misturando números musicais vibrantes e canções pop que dialogam perfeitamente com os altos e baixos da adolescência, a seleção musical embala tanto as lágrimas quanto os sorrisos, cumprindo a missão de aquecer o peito e deixar uma sensação boa de esperança. Se você procura uma história emocionante, despretensiosa e cheia de coração sobre crescer, amar e resistir, pare o que estiver fazendo e dê o play.

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