Crítica | Filme | Beijar É a Parte Fácil

Crítica | Filme | Beijar É a Parte Fácil

Um filme sobre equilibrar o peso das expectativas familiares e a busca pela própria identidade nos faz lembrar o quanto o autoconhecimento pode nos salvar nos dias mais difíceis. Beijar É a Parte Fácil é o tipo de comédia romântica adolescente que mexe com quem já se sentiu sufocado por acordos e pressões alheias. Sob a direção sensível de Fawzia Mirza e com produção assinada por nomes como Jason Goldberg, Aron Levitz e David Madden (com o selo da Blue Ice Pictures), o longa chega com exclusividade ao catálogo da Netflix, apostando em um visual jovial e na energia típica de produções focadas no público jovem para mergulhar nos dilemas de duas realidades opostas que colidem de repente.

A trama aposta com orgulho nos elementos clássicos de amadurecimento e de ambiente escolar: a obsessão por uma vaga dos sonhos no MIT, as pressões sociais, as aulas particulares caóticas e o choque de lidar com manipulações e acordos ocultos nos bastidores. Tudo flui de forma sincera, tentando não pesar a mão e sem perder a leveza do gênero, embora esbarre em fórmulas já bastante conhecidas. Grande parte do mérito para que a história se sustente está na química e no carisma do elenco principal. Asher Angel entrega um Sean Foster compenetrado e cheio de nuances, enquanto Paris Berelc brilha como Flora Morgan, trazendo força e vulnerabilidade à personagem.

A dinâmica entre os dois e a forma como a convivência forçada por interesse se transforma em algo genuíno funcionam bem, ainda que o roteiro por vezes transite por caminhos previsíveis. O elenco de apoio traz rostos conhecidos que ajudam a movimentar a narrativa, ancorando os conflitos centrais do enredo. A forma como o roteiro conecta as expectativas acadêmicas com o processo pessoal de emancipação da protagonista é um dos acertos que dão fôlego à narrativa.

A trilha sonora merece destaque à parte, embalando tanto os momentos de tensão quanto as reviravoltas sentimentais, cumprindo a missão de acompanhar o amadurecimento dos personagens. Se você procura uma história despretensiosa sobre crescer, quebrar contratos emocionais e aprender a priorizar a si mesmo antes de qualquer romance, vale a pena dar o play na Netflix.

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