Terceiro filme da franquia brasileira de troca de corpos mantém a fórmula conhecida e encontra momentos de humor, embora fique abaixo do resultado alcançado pelos dois primeiros capítulos.
Dezessete anos depois de Se Eu Fosse Você 2, Tony Ramos e Glória Pires retornam como Cláudio e Helena. Contudo, desta vez, os personagens ocupam uma posição secundária na história, enquanto o protagonismo passa para Bia, interpretada por Cleo Pires, e Aquiles, vivido por Rafael Infante.
A escolha de Cleo Pires acrescenta uma relação curiosa ao elenco, pois a atriz interpreta a filha de Helena e Cláudio e é filha de Glória Pires na vida real. O IMDb também registra que Bia já havia sido interpretada por outras atrizes nos dois filmes anteriores: Lara Rodrigues no primeiro e Isabelle Drummond no segundo.
A trama acompanha Bia e Aquiles em uma fase complicada do casamento. Enquanto ela trabalha como chefe de cozinha, ele atua como orientador de esportes radicais. Os dois possuem perfis bastante diferentes e enfrentam dificuldades para compreender a rotina e as escolhas profissionais um do outro.
Enquanto isso, Cláudio e Helena estão viajando pela China. A distância, porém, não impede que a velha situação da família volte a acontecer. Durante uma discussão entre Bia e Aquiles, um raio atinge novamente a dupla e provoca uma nova troca de corpos.
A partir daí, o filme recupera o principal mecanismo de humor da franquia. Bia precisa lidar com as atividades de Aquiles, enquanto ele é obrigado a assumir as responsabilidades da esposa. A situação cria conflitos principalmente porque nenhum dos dois possui familiaridade com o universo profissional do outro.
Aquiles, por exemplo, precisa encarar a cozinha, ambiente no qual demonstra pouca habilidade. Bia, por outro lado, precisa superar o medo de altura para enfrentar parte da rotina do marido. A inversão permite que o roteiro explore novamente situações físicas e constrangimentos derivados da troca de identidades.
Essas situações garantem alguns dos melhores momentos da produção. A fórmula, entretanto, já é conhecida pelo público e não apresenta o mesmo frescor dos filmes anteriores. Por isso, embora consiga divertir, Se Eu Fosse Você 3 funciona mais pela familiaridade com a proposta do que por apresentar novidades significativas.
Rafael Infante encontra um bom caminho para interpretar Aquiles dentro do corpo de Bia. O ator utiliza gestos e comportamentos diferentes dos habituais para construir o personagem nessa nova condição e consegue sustentar boa parte das situações cômicas.
Cleo Pires também se destaca como Bia. A atriz assume o protagonismo com segurança e constrói uma personagem que precisa equilibrar as próprias inseguranças com as dificuldades de viver temporariamente a vida de outra pessoa.
A presença de Tony Ramos e Glória Pires funciona mais como uma conexão com os filmes anteriores do que como elemento central da nova narrativa. A dupla continua importante para a identidade da franquia, mas recebe menos espaço para desenvolver Cláudio e Helena nesta continuação.
Visualmente, a produção segue uma proposta leve. A fotografia utiliza cores vibrantes e enquadramentos que valorizam as expressões dos personagens, principalmente durante as descobertas provocadas pela troca de corpos. Os closes também ajudam a explorar as reações dos protagonistas diante das situações inesperadas.
A direção de Anita Barbosa conduz a história sem grandes experimentações visuais. O foco permanece na dinâmica entre os personagens e nas situações de comédia, mantendo uma linguagem compatível com a proposta da franquia.
O roteiro é assinado por Leandro Soares, enquanto Daniel Filho, diretor dos dois primeiros filmes, participa desta vez como produtor. O IMDb também confirma no elenco nomes como Rosi Campos, Valentina Daniel, Paulo Rocha, Dan Ferreira e Fernanda Schneider.
Se Eu Fosse Você 3 não alcança o mesmo nível dos dois primeiros filmes, mas consegue preservar a essência da franquia. A nova troca de corpos ainda oferece situações capazes de provocar risadas e, principalmente para quem já acompanha a série de filmes, entrega uma continuação acessível e familiar.
Em suma, a produção aposta em uma fórmula que o público já conhece, mas encontra em Cleo Pires e Rafael Infante uma nova dupla capaz de conduzir a história. O resultado é uma comédia simpática, que diverte sem conseguir reproduzir o impacto dos capítulos anteriores.
