Crítica | Série | Habeas Corpus

Crítica | Série | Habeas Corpus

A série brasileira Habeas Corpus caiu meio pesada no início. Textão, vários arcos, algumas poucas boa atuações… Estava difícil de pegar sequência logo em sua estreia na Netflix (23/9). Mas a perseverança veio e graças a ela foi possível dar um veredito positivo para o caso: vale a pena conferir.

Claro, desde que o espectador curta tramas de tribunais e, ainda por cima, produções braisleiras. Se você é do tipo que reclama da qualidade do áudio de filmes ou séries nacionais ou de inverossimilhança nas histórias, tente a sorte com Suits, The Good Fight e similares enlatados. Registre-se um nada consta aqui.

Minha ressalva única talvez possa ser uma decisão estrateǵica dos criadores de Habeas Corpus (Luiz Villaça, Leonardo Moreira e Donna Oliveira, sob direção geral de Luiz Villaça). Existe uma certa lentidão para chegarmos ao objetivo traçado nos primeiros episódios: revisão penal para que uma condenação injusta fosse invalidada.

Em um primeiro olhar é isso mesmo. Tudo evolui vagarosamente, muito blá-blá-blá, dramas pessoais dos personagens principais ocupando mais tempo do que deviam… Contudo, superada a primeira camada, é possível interpretar essa morosidade como justa alusão ao modus operandi do judiciário brasileiro. Nada é rápido, cabe recurso pra tudo… A justiça é lenta, enfim.

Se foi proposital, hoje não sou capaz de dizer. Mas que funcionou, ah, funcionou!

Assim, vemos a talentosa advogada Ines Franco (Marjorie Estiano) tentando reconstruir sua carreira após um atentado durante um julgamento. Agora acadêmica, monta um grupo com seus alunos para estudarem a fundo o tema revisão penal. O que começa em ambiente universitário logo descamba para uma trama envolvendo corrupção no judiciário, ética e velhas feridas ainda abertas.

Ao lado de Marjorie (que está muito bem, por sinal) estão Vladimir Brichta, Danton Mello, Natália Lage, Any Gabrielly, Hypólito e muitos outros atores, entre medalhões e jovens. Vladimir e Danton mandam muito bem, cada um na sua linha, mas sempre eficientes. O trabalho de Any parece oscilar, mas tem qualidade. E, apesar de vermos que se trata de uma produção com recursos (basta ver o tanto de locações envolvidas), são essas atuações que prendem a atenção.

E se você ainda busca verossimilhança no seu entretenimento, é bom saber que Habeas Corpus, ainda que seja uma obra de ficção, se inspirou no trabalho real da organização Innocence Project Brasil, dedicada a investigar condenações injustas e erros do sistema judiciário.

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